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Luz Artificial PDF Imprimir E-mail

Este é, entre tantos na ornitologia um assunto bastante polêmico e controvertido, havendo ferrenhos defensores, passando pelos céticos, chegando até aos ultra-resistentes. Por isso, vamos apresenta-lo sob a ótica das nossas experiências pessoais há quase uma década, e das experiências de outros que nos acompanham, além das informações registradas em vários artigos tantos aqui como na Europa, Inglaterra, etc.

Não vamos tratar aspectos técnicos de iluminação, mas apenas trabalhar com projetos que sejam executados buscando fornecer, aproximadamente, a mesma quantidade de luz que dispomos de forma natural, ou seja, uma média da quantidade de luz natural do período SETEMBRO/FEVEREIRO ou AGOSTO/MARÇO.

Diferentemente do que ocorre no Hemisfério Norte, onde as necessidades de iluminação artificial comportam parâmetros diversos devido às estações e condições climáticas, nosso objetivo é o de “estender o dia”, isto é, aumentar o número de hora luz para desfrutar de uma série de vantagens que advirão desta conduta.

Sabemos que os pássaros, de uma forma geral, estão habilitados à procriação com o advento da primavera que traz o chamado FOTO-PERÍODO-POSITIVO, isto é, o número de horas-luz neste período é o maior do ano (é lógico que há muitos outros fatores); isso estimula o sistema hormonal, gerando o frenético movimento reprodutivo.

Canários (SERINUS CANARIUS), canário-da-terra, bicudos, curiós, colerinhas, tico-ticos e tantos outros entram neste compasso e “cantam” e “dançam” e brigam na disputa do seu espaço e do seu par, afim de obedecer ao impulso emergente impresso na sua configuração hereditária: A PERPETUAÇÃO DA ESPÉCIE.

Com a iluminação artificial, podemos otimizar a preparação e o período reprodutivo dos nossos plantéis ao dispomos de um tempo a mais, após as atividades profissionais diárias para inspecionar tudo, anilhar filhotes, “deitar fêmeas”, oferecer alguma comida extra e ainda realizar outras tarefas necessárias ao bom andamento da criação. Aquelas ações dos fins-de-semana, às vezes cansativas pelo acumulo das tarefas ficam diluídas pelas ações diárias.

Acusamos também um significativo aumento da produtividade (maior número de filhotes por casal), além de um maior aproveitamento da alimentação fornecida, com uma melhor conversão alimentar, gerando menos riscos de doenças nos filhotes.

 

ATENÇÃO

O uso de luz artificial deve concordar com o período reprodutivo, não devendo exceder a este (no máximo de AGOSTO a MARÇO). Não considerar “horário de verão” pois o horário para os pássaros corresponde ao relógio biológico que coincide com o horário normal. NÃO HÁ HORÁRIO DE VERÃO.

 

O EQUIPAMENTO

Trata-se de um DIMER AUTOMÁTICO (variador automático de intensidade luminosa acoplado a um TIMER – temporizador horário 24 horas).

Através de uma programação, dá-se o acendimento às luzes, fluorescente e ou incandescentes e o apagamento progressivo das lâmpadas incandescentes.

Pode-se prescindir das fluorescentes, jamais das incandescentes. Este apagamento progressivo das lâmpadas simula o por do sol.

 

OPERAÇÃO E UTILIZAÇÃO

No período precedente à estação de criação, liga-se o DIMER AUTOMÁTICO para promover o acendimento das luzes 30 minutos antes de começar o anoitecer (OCASO).

ATENÇÃO: este procedimento define o início da operação e condiciona todo o período de funcionamento. O desligamento para a primeira semana será programado para os 30 minutos posteriores ao OCASO.

Exemplo: LIGA ÀS 17:15 e DESLIGA ÀS 18:00 e estará completamente apagado às 18:30, devido ao automatismo que é regressivo durante os 30 minutos posteriores ao desligamento.

Para facilitar, seguem sugestões para confecção de tabelas de inserção e subtração de luz.

TABELA DE INSERÇÃO DE LUZ
(Época de Criação)

Semana

Ligar

Desligar

Apagamento Completo

1a

17:15

18:00

18:30

2a

17:15

18:30

19:00

3a

17:15

19:00

19:30

4a

17:15

19:30

20:00

5a

17:15

20:00

20:30

6a

17:15

20:30

21:00

 

TABELA DE INSERÇÃO DE LUZ
(Época após Criação)

Semana

Ligar

Desligar

Apagamento Completo

1a

17:15

20:00

20:30

2a

17:15

19:30

20:00

3a

17:15

19:00

19:30

4a

17:15

18:30

19:00

5a

17:15

18:00

18:30

Sugerimos não ultrapassar o disposto para a 6a semana e manter assim até praticamente o final da criação, quando deve-se proceder à condição inversa da “TABELA DE INSERÇÃO DE LUZ”.

Ao terminar a 5a semana da tabela acima, DESLIGAR TOTALMENTE O SISTEMA AGORA SÓ LUZ NATURAL.

CUIDADOS

Onde há vantagens e benefícios, há riscos associados e, neste caso, deve-se manter as programações previstas nas tabelas para evitar dissabores. O desligamento abrupto das luzes em desobediência às tabelas pode promover muda de penas extemporânea. Por isso, as tabelas de INBSERÇÂO e SUBTRAÇÃO DE LUZ devem ser planejadas e cumpridas com o todo rigor. Assim, seu sucesso estará garantido, não há o que duvidar.


Flávio Eustáquio Calixto
Revista UCCP – 1997
Arquivo editado em 251/09/2002

 

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