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Bouba
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ÁCARO KNEMIDOCOPTES

Causa sarna de bicos, penas, e pés.

Vive sobre e sob a pele da ave, em galerias, promovendo coceira. Os ácaros penetram na pele do pássaro levantando-a. Com a evolução da doença a pele cai dando lugar a crostas esbranquiçadas, podendo, ainda criar feridas, pois o pássaro coça com muita freqüência a área atingida.
A contaminação por este ácaro é multifatorial, sendo que as principais são: umidade ambiental baixa, hipovitaminose A (deficiência de vitamina A) , deficiências nutricionais. O ácaro após infectar uma ave, pode ficar até dois anos, em forma latente (dormente), sem levar ao quadro clínico da doença. Causam lesões queretinizadas proliferativas (crostas) ao redor do bico, anus, pernas e pés.

Como profilaxia (prevenção): fazer quarentena e tratamento preventivo das aves,

Sintomas:

O pássaro passa a se coçar seguidamente ficando irrequieto na gaiola. Com a evolução do quadro podemos observar escamações de peleao redor do bico, anus, pernas e pés. Há casos em que as lesões chegam a causar deformações no bico e nas unhas.

Tratamento:

Pegue a ave, abra a asa e pulverize com Piolhaves. Nas feridas empregar uma pomada a base de enxofre.


Prevenção:

4 ou 5 gotas de vinagre na água do banho ajudam a manter os parasitas longe. Pulverizações quinzenais com o produto Plumas Kleen (não borrifar sobre qualquer vasilhame usado na alimentação) mantém os piolhos e outros parasitas longe dos pássaros, funcionando, ainda como repelente de insetos. Cuidados com a higiene de gaiolas acessórios e ambiente, correção alimentar, ambiente de criação de aves deve ser bem ventilado e arejado, mas sem corrente de vento.

Fonte: www.cantoefibra.com.br 


ÁCAROS DAS PENAS

Causas: Parasita Syrongophilus bicectinata

Em ambiente natural é comum a presença de alguns piolhos brancos/amarelados, que, normalmente não são visíveis, sendo residentes naturais, que são até benéficos para os pássaros, pois removem células mortas das penas e pele e até determinadas bactérias. Quando a higiene é relaxada no criatório, o acumulo de sujeira e de fezes formam o ambiente propício para o desenvolvimento de uma superpopulação de parasitas que passam a incomodar a ave. Há casos, inclusive de fêmeas que abandonam o choco por se sentirem incomodadas, embora esses piolhos não se alimentem do sangue dos pássaros. As reinfestações podem acontecer a qualquer momento. Pardais e outros pássaros contribuem para o ressurgimento de novos focos.

Sintomas: O pássaro passa a se coçar seguidamente ficando irrequieto na gaiola. As cerdas ficam com aspecto "roído", quebradas, imperfeitas e sem brilho. Dependendo da quantidade de ácaros, podem comprometer o vôo. Para verificar se a ave está sendo atacada por ácaros, pegue-a e observe com a sua asa aberta contra a luz.

Tratamento: Pegue a ave, abra a asa e pulverize com Front-line Spray. Há criadores que pulverizam com o inseticida SBP, o que não recomendamos por não termos vivido a experiência. Produtos à base de Ivermectina não costumam apresentar bom resultado.

Prevenção:
Além da higiene, 4 ou 5 gotas de vinagre na água do banho ajudam a manter os parasitas longe. Pulverizações quinzenais com o produto Plumas Kleen (não borrifar sobre qualquer vasilhame usado na alimentação) mantém os piolhos e outros parasitas longe dos pássaros, funcionando, ainda como repelente de insetos.


ÁCAROS DE TRAQUÉIA


Prevenção e Profilaxia
J.Bernardino
Consultor Técnico COBRAP - http://www.cobrap.org.br/
Membro do Grupo - Sítio dos Carduelis - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Colaboração : Dr. Daniel Mendoza - Med. Veterinário - Argentina

Os Acáros de Traquéia(S.Tracheacolum) são pequenos parasitas, especialmente das vias respiratórias superiores, que podem ser vistos até mesmo à olho nu ou com auxílio de uma lupa. Irritam a mucosa das àreas que atacam tais como: traquéia, pulmões, sacos aéreos, chegando mesmo à atingir os ossos pneumáticos. Eles ao atacarem essas àreas nas quais se instalam, produzem lesões pois, alimentam-se de sangue(HEMATÓFAGOS), causando patologias por si só e abrindo caminho para infecções por bactérias, vírus, fungos e mycoplasmas oportunistas. Quando da incidência desse problema deve-se melhorar o sistema de ventilação pois, com uma melhor ventilação, melhoramos a aeração e circulação de ar eliminando partículas em suspensão no ar do criadouro. Os ácaros em um criadouro podem ser trazidos por aves novas introduzidas¹ e que não tenham sido submetidas à quarentena em ambiente separado do criadouro ou por correntes de ar mal distribuídas ou podem existir naturalmente no ambiente, onde alimentam-se de detritos e de maneira oportunista, podem infectar as aves. Um excesso de população também pode levar à problemas de má qualidade do ar pois, aumenta a quantidade de partículas em suspensão no ar do criadouro. Uma forma de tratamento é o uso da Ivermectina(Ivomec® ) e outro método é o uso de inseticida aerosol à base de piretrinas, tipo SPB® . O inseticida deve ser desse tipo pois, é menos tóxico. O método é simples, coloca-se a(s) ave(s) em uma gaiola, cobre-se a gaiola e aplica-se um ou dois jatos do inseticida dentro da gaiola para que a(s) ave(s) inalem o produto durante uns cinco minutos. Esse método mostra-se eficiente, especialmente como tratamento de emergência em aves já parasitadas por ácaros.

Os principais sintomas são:

Dificuldade respiratória.
Tosse e a ave emite sons como gemidos, dando a impressão que está engasgada.
A ave perde a voz.
A ave abre muito o bico e o limpa constantemente no puleiro.
Em casos de infestação extrema pode ocorrer a morte da ave por asfixia mecânica.
 
As formas de se evitar esse tipo de "inimigo" da saúde nossas aves são:

Um bom manejo higiênico do criadouro.
Quarentena de novas aves.
Aplicação de produto preventivo como, por exemplo, a Ivermectina, que combate não só o ácaro de traquéia, mas, também outros endo e ectoparasitas. Boa ventilação e renovação do ar, mas, sem correntes de ar passando diretamente pelas gaiolas, pois, essas correntes podem carrear ácaros e outros agentes infectantes.
Isolamento de aves infestadas do ambiente do criadouro, aliás, para qualquer patologia deve-se retirar o indivíduo do criadouro.
Eliminação das aves mortas, de preferência incinerando-as.
É possível que a água de bebida seja uma fonte de infestação, portanto, temos que ter cuidado com a higiene dos bebedouros.
 
Minha experiência com Ácaros de Traquéia

Vou descrever a experiência mais recente acontecida no Criadouro de Canários de um amigo. Algumas aves começaram a tossir e agirem como se estivessem engasgadas. Passados alguns dias 06 aves morreram. Ele ligou relatando-me o fato e como não podia, naquele momento, ir até o seu criadouro, o aconselhei á levar 02 aves que apresentavam os mesmos sintomas a um veterinário, nosso conhecido, que tem especialidade em aves. O diagnóstico² foi ácaro de traquéia. O tratamento recomendado foi o uso do SBP®, como descrito acima. Agora estamos fazendo também uma nova aplicação da Ivermectina³, fazendo a aplicação, repousando 15 dias e repetindo a aplicação. Os grandes vilões nesse caso foram encontrados:
1 - Excesso de aves no criatório.
2 - Má ventilação.
Esses problemas são facilmente resolvidos com a diminuição da população de aves no criadouro (ou aumento do criadouro em si para comportar a população requerida) e com uma melhoria da circulação do ar.

Conclusão

Devemos ter cuidado com o manejo e sanidade de nossos plantéis e criadouros pois, descuidos e falta de atenção para detalhes como: a correta ventilação, higiene, quarentena ,etc.; podem ser o diferencial entre o fracasso e o sucesso na criação. Devemos sempre procurar orientação profissional, pois, teremos maior precisão no diagnóstico e no tratamento, conseguindo assim, melhores resultados e eliminando os agentes causadores das anormalidades e patologias.

Notas:

1 - Além dos passeriformes também afetam outras espécies como pinzones, agapornis e outros psitacídeos. Não é recomendável ter várias espécies em um mesmo ambiente se pretendemos realizar uma quarentena rigorosa.

2 - Seria interessante também realizar um diagnóstico diferencial para o Syngamus trachea(verme vermelho de traquéia), para ter-se precisão no tratamento. Se bem que o tipo de tratamento é o mesmo para ambos os parasitas, apesar da menor gravidade com relação ao S. trachea por tratar-se de um nematóide.

3 - Com relação à dosagem específica da Ivermectina, existem estudos que dizem que não devemos ultrapassar 0.1ml/kg. Existem relatos de que o uso em dosagens incorretas pode causar cegueira em bois, cães, e tem sido observada em aves pequenas. Mas, o que temos observado na prática em anos de criação de canários é que não houve um único caso desses em vários plantéis.


Escrito por José Bernardino, em 2/9/2003.


ÁCAROS VERMELHOS

Causas: Parasita Dermanysus gallinae.Estes parasitas causam grandes problemas na reprodução. Chamados piolhos vermelhos por serem hematófagos e apresentarem côr vermelha quando cheios de sangue. São comumente encontrados em pombos e galinhas podem ter sua presença despercebida por um longo período no criatório. É um parasita noturno, se protegendo e reproduzindo em frestas, rachaduras e vãos, durante o dia. Seu ciclo de vida pode ser completado em uma semana. Em criadouros pode permanecer por 6 meses, após a retirada das ave. A transmissão do problema se dá através de objetos "contaminados" como: gaiolas, comedouros, capas de gaiolas, outros acessórios e pelo próprio trânsito de pessoas de um criadouro a outro.
A ave não dorme direito, se estressando e perdendo nutrientes para o parasita. Podem causar: diminuição da eficiência reprodutiva nos machos, diminuição da postura nas fêmeas, diminuição da velocidade de crescimento dos filhotes, fraqueza, letargia, e diminuição de apetite

Sintomas: Estes ácaros, durante o dia se escondem nas ranhuras dos poleiros, molas das portas e buracos na parede ou teto. Durante o dia, principalmente nos banhos de sol, não são observados e os pássaros ficam tranqüilos. Ataca as aves á noite. Durante a noite os pássaros ficam agitados e não param de se bicar tentando se livrar dos parasitas.

Tratamento: Pegue a ave, abra a asa e pulverize com Front-line Spray . Há criadores que pulverizam com o inseticida SBP, o que não recomendamos por não termos vivido a experiência. Tratar com G-TROX ou aplicar Ivomec Pour-on na dose de 1 gota no dorso das aves apresenta bom resultado. Desinfetar o criatório.

Prevenção:
Além da higiene, 4 ou 5 gotas de vinagre na água do banho ajudam a manter os parasitas longe. Pulverizações quinzenais com o produto Plumas Kleen (não borrifar sobre qualquer vasilhame usado na alimentação) mantém os piolhos e outros parasitas longe dos pássaros, funcionando, ainda como repelente de insetos.

 


ACARÍASE RESPIRATÓRIA

Causas: Ataque do ácaro Stermostoma tracheaculum, nas vias respiratórias. A transmissão normalmente se dá nas exposições, torneios e na introdução de novas aves no criatório. Pode ser transmitida por pássaros livres que tenham acesso ao criatório. É comum a aproximação de pardais quando as gaiolas estão fora para treinamento ou banhos de sol.

Sintomas: Respiração penosa, curta, com o pássaro abrindo e fechando o bico constantemente. O pássaro passa a se alimentar menos e emagrece.
Tratamento: Isolar imediatamente o pássaro apresentando esses sintomas. Ministrar G-Trox ou Ivomecpour-on em todo o plantel em duas doses com intervalo de 15 dias. Desinfetar todo o criatório, preferencialmente pintando as paredes com cal virgem. Aplicar Front-Line Spray na dose de 2 gotas no dorso das aves, repetindo a dose 7 dias e 15 dias após a primeira dose, apresenta bom resultado..

Prevenção: Além da higiene, 4 ou 5 gotas de vinagre na água do banho ajudam a manter os parasitas longe. Pulverizações quinzenais com o produto Plumas Kleen (não borrifar sobre qualquer vasilhame usado na alimentação) mantém os piolhos e outros parasitas longe dos pássaros, funcionando, ainda como repelente de insetos. Evitar expor os pássaros a riscos de contágio. Colocar em quarentena todo o pássaro que participar de uma exposição ou torneio.
Canto e Fibra.

 


AFLATOXICOSE

Causas: Aflatoxicose é uma intoxicação resultante da ingestão da aflatoxina em misturas de sementes e rações contaminadas. As aflatoxinas são um grupo de compostos tóxicos produzidos por certas cepas dos fungos Aspergillus flavus e A. Parasiticus. Em condições favoráveis de temperatura e umidade, estes fungos crescem em sementes e alimentos, resultando na produção das aflatoxinas.

A aflatoxina causa necrose aguda, cirrose e carcinoma de fígado. A aflatoxina B1 é potencialmente carcinogênica em muitas espécies, incluindo os pássaros. Em cada espécie, o fígado é o primeiro órgão atacado. Além de sua associação com doença do fígado, as aflatoxinas podem afetar o rim, baço e pâncreas.

Sintomas: Doença de diagnóstico muito dificil. Grande causadora de mortes.

Tratamento: Difícil tratamento. Pouco sensível aos antibióticos.

Prevenção: Inclusão de adsorventes de micotoxinas, principalmente nas misturas de sementes.

 


AS INFECÇÕES PELO CAMPYLOBACTER


BOLETIM DO CRIADOURO CAMPO DAS CAVIÚNAS
Nº.         5 AGOSTO DE 2003
REDATOR: Dr. JOSÉ CARLOS PEREIRA
RUA JOAQUIM DO PRADO, 49. CRUZEIRO/SP. TELEFAX 0xx12 31443590
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

   São bactérias com a forma de vírgula agrupadas no gênero Campylobacter que compreende 14 espécies, das quais, umas sete ou oito produzem doenças no homem. São móveis, têm grande capacidade de adesão às células, poder de invasão e produzem toxinas. As duas espécies mais encontradas no homem são o Campylobacter jejuni, com 50 serotipos, e o Campylobacter fetus. Estão entre as causas mais comuns de diarréia em todo o mundo, sendo em alguns lugares mais encontradas do que as Shigellas e as Salmonellas juntas. Predominam nos meses chuvosos nos países tropicais. As maiores vítimas são as crianças abaixo dos dois anos de idade. Constituem uma zoonose (transmitidas ao homem pelos animais). Os pássaros, tanto os silvestres como os domésticos, os hamsters, os cães, os gatos, as aves aquáticas, os perus, os frangos, os porcos, os carneiros, as cabras e o gado vacum são reservatórios comuns do Campylobacter. Nem totalmente aeróbios e não estritamente anaeróbios, vivem perfeitamente bem no meio gastrintestinal.

Entre as aves, o C. jejuni é a mais freqüente e a mais patogênica; o C. laridis, muito encontrado em gaivotas, tem patogenicidade ainda não bem definida enquanto o C. coli é considerado não patogênico. Além da forma em vírgula, o Campylobacter pode ser encontrado em aves na forma de “s” e na forma degenerativa cocóide.

O homem e outros animais se contaminam pela ingestão de produtos animais, como carne e o leite, pela água, pelo contato pessoal com outras pessoas ou animais, principalmente os jovens, portadores das bactérias. O feto pode ser contaminado durante o parto pela mãe portadora.

As gastrenterites constituem os quadros clínicos mais comuns das infecções pelos Campylobacter e são determinadas quase sempre pelo C. jejuni. Iniciam-se com febre, cefaléia, dores musculares, mal-estar e dor abdominal em cólicas em volta do umbigo que pode ser confundida com apendicite. A diarréia é inicialmente aquosa, talvez determinada por toxinas, podendo em dois a quatro dias evoluir para fezes com catarro e sangue como na Shigellose. As cólicas podem permanecer mesmo após ter cedido a diarréia. As infecções mais leves duram somente um a dois dias e podem ser confundidas com as diarréias por vírus. Em algumas pessoas a diarréia permanece por vários dias e pode voltar após algum tempo de normalidade.

Algumas vezes, principalmente em pessoas com imunidade comprometida, as bactérias, principalmente o C. fetus, podem atingir o sangue (bacteremia) sem produzir infecções localizadas, o que é raro na gastrenterite pelo C. jejuni. O C. fetus pode provocar bacteremia sem diarréia. A bacteremia manifesta-se por febre, calafrios, sudorese, confusão mental, dor abdominal, diarréia, icterícia e aumento do fígado.  

Quando há infecções localizadas fora do intestino os órgãos mais atingidos são as meninges, o pâncreas, o coração, os pulmões, as articulações, a vesícula biliar e o peritônio. A infecção da mulher grávida, mesmo que seja assintomática, pode causar aborto, natimortalidade, prematuridade ou infecções perinatais muito graves. Duas complicações interessantes são as síndromes de Guillain-Barré, polineuropatia que surge após algumas infecções, e a artrite reacional semelhante a que surge na Yersiniose. Nas aves os sinais clínicos mais comuns são as diarréias com fezes volumosas, amareladas ou pálidas com aspecto chamado pelos autores anglo-saxões de “popcorn poohs”, letargia, falta de apetite e emaciação (emagrecimento). Esse quadro associa-se aos achados anatomopatológicos de hepatite subaguda ou crônica com infiltração perivascular de células inflamatórias e áreas de necrose num fígado aumentado de volume com coloração pálida ou esverdeada e áreas hemorrágicas.

Na parede intestinal é notada inflamação catarral e/ou hemorrágica.. A mortalidade é muito alta, principalmente entre os filhotes; a morte súbita e brutal pode ser conseqüência da ruptura do fígado. Muitas infecções são inaparentes, mas passíveis de serem transmitidas a outras aves. Os quadros sintomáticos dependem, algumas vezes, de fatores que diminuem a imunidade da ave como a concomitância de infestações por coccídeos ou nematódeos e a desnutrição. Entrando num criadouro, o Campylobacter pode permanecer durante semanas, determinando quadros sintomáticos, recuperações espontâneas e recaídas até a cessação, por motivos vários, do surto.

O Campylobacter pode ser cultivado em laboratório usando meios de cultura adequados, visualizado no microscópio com técnicas de coloração especiais e identificado por alguns testes sorológicos e pelo DNA. Em meio adequado às colônias desenvolvem-se em 72 a 96 horas a 37-42 ºC.

Há tratamento usando-se os antibióticos macrolídeos, como a eritromicina, a claritromicina e a azitromicina. No tratamento dos pássaros também são citadas as tetraciclinas e a estreptomicina (não deve ser usada em psitacídeos). Volto a afirmar: o tratamento somente deve ser feito seguindo orientação veterinária depois do diagnóstico clínico e/ou laboratorial. Não passe de pato a ganso achando que tem tudo para ser um veterinário, somente faltando o diploma. Cabem aos criadores os cuidados profiláticos.

O controle é relativamente fácil. O principal modo de transmissão é o fecal-oral: saída dos parasitas pelas fezes, contaminação do meio-ambiente e entrada pela boca. Desconhecer esse princípio básico é dar mole para o bandido. Especificamente, alguns cuidados podem ser tomados pelos passarinheiros para evitar que o seu criatório (criadouro. Na verdade, ainda não achei uma boa e definitiva palavra para definir o local onde são criados pássaros) torne-se foco exportador e importador do Campylobacter:
- Lavar rigorosamente as mãos com água e sabão, sabão mesmo, esfregando as unhas com uma escovinha antes de manusear as frutas, as hortaliças e a água que serão fornecidos aos pássaros. As mãos devem ser lavadas, sempre com água e sabão, antes e depois de manusear pássaros ou os utensílios. - Lavar rigorosamente, com água e sabão, frutas e as hortaliças que serão dadas aos pássaros e enxágua-las muito bem. Podem ser deixadas por alguns minutos em solução de água e vinagre ou de hipoclorito de sódio, não se esquecendo de enxaguar copiosamente antes de dá-las aos pássaros. Pela simplicidade creio que o lavar as mãos, as frutas e as hortaliças já será uma grande ajuda no controle desses parasitas.

Oferecer aos pássaros somente água, no mínimo, filtrada. A água fervida seria mais seguro, desde que seja mantida no fogo pelos menos durante 20 minutos após levantar a fervura. Os mesmo cuidados devem ser tomados com a água para os banhos dos pássaros. Esfregar bem os bebedouros para remover o biofilme líquido que fica na superfície e que pode albergar muitas bactérias. O ideal seria ter jogos de dois bebedouros para intercalá-los diariamente, possibilitando a secagem completa de um dia para o outro do que não estiver sendo utilizado. É bom lembrar que as Enterobacteriáceas, entre elas o Campylobacter, adoram uma água, sendo mesmo conhecidas como bactérias dos meios líquidos e, para elas, qualquer filmezinho líquido é um piscinão de Ramos. Lavar se possível de maneira individualizada, os utensílios também com água filtrada. Se for possível, pelo menos uma vez por mês, ferver os utensílios resistentes à fervura, principalmente as grades e as bandejas do fundo da gaiola. Se for organizada uma rotina, mesmo nos criatórios maiores as atividades profiláticas serão relativamente fáceis. Alguns criadores que dão sementes germinadas aos seus pássaros devem ter cuidado com a água usada para provocar a germinação. O mesmo cuidado deve-se ter com a água usada para umedecer as farinhadas.
A manutenção higiênica do prédio onde está instalado o criatório deve ser diária, evitando o acúmulo de dejetos e restos alimentares. Ter um jogo de mangueira, pazinha de limpeza, baldes, botas, vassouras, rodos, cestos de lixo, etc. somente para dentro do criatório. Se existirem mais de um ambiente, um jogo para cada um. Verão que vale a pena o investimento. O uso de detergentes e outros produtos de limpeza bactericidas devem ser feito com orientação técnica. Aqui não cabem improvisações. Ainda advogo o uso de vassouras de fogo tendo, é lógico, cuidado para não colocar fogo no prédio e nos pássaros. Sempre usei esse procedimento no canil e é tiro e queda. Nunca houve problemas com parasitas externos e, de quebra, elimino alguns parasitas internos que teimam em viver algum tempo fora do organismo. É método de fácil execução, rápido e não tem ação residual como os produtos químicos. Com técnica adequada não danificará paredes, desde que não se fique com o fogo muito tempo num só lugar como estivesse assando um churrasquinho, e, creio, poderá ser usada nas gaiolas de arame vazias. Tendo-se o cuidado de tirar os pássaros do ambiente, isolando-se as partes combustíveis das instalações, evitando-se a presença de líquidos inflamáveis, etc., o método é seguro. Aconselho procurar informações com alguém que já tenha alguma experiência para não cometer erros de principiante.

Tratar as fêmeas com Campylobacter é essencialíssimo pela possibilidade delas infectarem verticalmente os filhotes.

Tratar os machos galadores infectados, pois, por ser comum usá-los com várias fêmeas (poligamia), poderão contaminar o plantel numa proporção geométrica. Não tenho qualquer dado sobre o assunto, mas seria esperada maior possibilidade de contaminação dos machos, devido às grandes aberturas do bico durante os cantos, pela poeira contaminada.

Manter em observação e isolados todos os filhotes nascidos de mãe e/ou pai contaminados. Os gaiolões com muitos filhotes funcionariam como creches ampliando a disseminação da bactéria.

Não caia naquela de dar antibióticos com finalidade profilática. São muito poucos os casos em que o uso profilático de antibióticos tem valor comprovado. E a infecção pelo Camnpylobacter não é um deles. Fazendo isso você estará criando cepas resistentes da bactéria, um problema para a sua própria família e para os seus pássaros. Cepas resistentes de uma bactéria que se propaga facilmente num canaril são pragas de sogra (só um xiste, porque a minha era ótima, não tenho queixas).

Muito cuidado com as fezes das aves. O papel do fundo da gaiola deve ser trocado diariamente. O costume de colocar várias camadas de papel não é bom, pois, o filtrado da parte líquida fecal pode levar os parasitas para a folha de baixo (lembrar que estamos lidando com seres microscópicos). Deve ser usada uma folha de papel e a bandeja deve ser limpa diariamente e colocada ao sol (para isso, seria bom ter, pelo menos, duas bandejas por gaiola). Individualizar as bandejas para evitar usar bandeja usada em gaiola de pássaro contaminado em a gaiola de pássaro não contaminado, criando, assim, condições para disseminação da infecção pelo criatório. Se você usa areia na bandeja, tenha muito cuidado, pois, se não houver troca constante e higiene impecável, será um meio propício para manutenção dos parasitas.

Muito cuidado com as gaiolas usadas para manter os machos ou levá-los aos torneios. Como ficam a maior parte do tempo fora do criatório, têm maiores possibilidades de ser depósitos de parasitas. São feitas de madeira, com muitos detalhes e têm muitas saliências e reentrâncias que facilitam a vida dos parasitas e dificultam higienizá-las. E, na maioria das vezes, não possuem grade separando a bandeja dos pássaros como acontece com as gaiolas de criação. Creio que, num futuro próximo, poderão ser substituídas por gaiolas feitas somente de arame.
As vasilhas contendo sementes, farinhadas, minerais e água devem ser colocadas de modo a evitar que sejam atingidas pelos jatos evacuatórios dos pássaros. Inspecioná-las diariamente e, se estiverem sujas com excrementos, desprezar o conteúdo e higienizá-las.

Muito cuidado com os poleiros. Devem ser colocados de maneira que não possam ser sujos pelas fezes, pois, pelo hábito das aves limparem o bico neles após alimentarem-se, a contaminação será fácil.

Cuidado especial com pássaros trazidos de fora do canaril, mesmo que seja somente para uma galadinha. Fazer quarentena nem sempre é praticável. Se o galador vier de canaril que mantenha boas condições higiênicas tudo fica mais fácil. Seria ótimo os donos dos bons pássaros galadores manterem os pássaros em ótimas condições de higiene física, social e até mental, pois, eles podem representar um boa fonte de renda para abater nas despesas do criatório.

Com as aves adquiridas para compor o plantel a quarentena é obrigatória, a não ser que venham de criatório que mantenha rígidas condições de controle sanitário do plantel. Creio que a quarentena de três semanas seja suficiente para a maioria das doenças infecciosas. Não trazer o pássaro em gaiolas do criatório de onde o adquiriu. Manter o pássaro entrante fora das instalações que albergam o plantel. O ideal seria uma pessoa para cuidar somente dele e que não tivesse acesso ao criatório. Se não, usar luvas ou lavar rigorosamente as mãos, com água e sabão, após o trato e cuidados com os utensílios da ave em quarentena. Todos os utensílios, produtos alimentares, vassouras, pazinhas, cestos de lixo, etc. devem ser mantidos separadamente dos usados para o plantel. Ponto de água para lavar os utensílios separado. Muito cuidado com os excrementos. A quarentena deve ser para valer ou nem vale a pena ser feita.
- Cuidado com os machos que vão a torneios ou a outros criatórios para coberturas. Seria interessante ter uma gaiola somente para torneios e outra para a manutenção do pássaro no criatório. Um apresentador de cães do nosso canil colocava nas guias dos cães que iam às exposições uma fitinha vermelha do Senhor do Bonfim; foi bom porque nenhum cão voltou contaminado das expos. Cuidado porque cavalo não desce escadas, como dizia o famoso colunista social carioca.

Levar água filtrada e/ou fervida quando for a torneios, evitando dar ao pássaro água da torneira sem as condições higiênicas seguidas no criatório. Se esquecer, é preferível dar água de garrafa tipo natural. Nem para o banho deve ser usada água do local dos torneios.

Cuidado com a água do banho dos pássaros. Deve ser, pelo menos, filtrada e, sempre que possível, fervida. Tirar a vasilha logo que o pássaro terminar o banho.

Algumas vezes os parasitas podem ser trazidos para o criatório pelas patas de pássaros, como os pardais, ou das moscas. Telar as janelas, portas e as aberturas para a ventilação é medida heróica. Não deixar lixo ou restos de comida expostos é essencial porque eles atraem pássaros, moscas e predadores, inclusive ratos. Muitas plantas também são atrativos para os pássaros soltos visitarem o criadouro. É aconselhável evitar a presença de cães dentro do criadouro, pois eles podem ser o veículo para a entrada do Campylobacter no criadouro.

E sol, amigos, pois, onde entra o sol não entra o médico, ou o veterinário, como dizia minha avó. Locais escuros, muito quentes e úmidos jogam para os bandidos. Lembrar que, em ambiente seco, o Campylobacter não resiste mais de uma semana.
As medidas profiláticas são econômicas e, tornadas rotinas, de fácil execução. Servem também para evitar muitas outras doenças que infernizam os criadores, como as determinadas por outras bactérias intestinais (Salmonella, Escherichia e Yersinia) e pelos protozoários intestinais.


Escrito por José Carlos Pereira, em 31/8/2003.

 


ASMA

Causas: Sternostoma tracheacolum. Poeira, friagem, alimentos condimentados, gaiolas sujas, mudanças no clima e má ventilação do criadouro.

Sintomas: Respiração difícil acesso asmático freqüente e ofegante. Em casos muito graves imobilidade, olhos entreabertos, penas soltas respiração acelerada intermitente com emissão de pequenos gemidos. Evolui rapidamente para sua forma crônica se não for tratada adequadamente.

Tratamento: Eliminar imediatamente frio, vento, poeira, úmidade. Colocar a ave em gaiola com temperatura de 30C. Se o pássaro apresentar crises agudas, na hora da crise administrar gotas de adrenalina a 1./10.000. Manter a gaiola coberta e fazer uso de um inalador com solução de Tylan apresenta ótimos resultados. O tratamento com R-Trill vem possibilitando bom resultado em muitos casos.

Prevenção: Evitar lugares úmidos e sujeitos a ventos frios. Mudanças bruscas de temperatura.

 


ASPERGILOSE E MICOTOXICOSE

Os fungos são os maiores inimigos da criação. É uma doença de elevada mortalidade, talvez a que mais mata filhotes do terceiro ao 12 dias de vida, provocada pelos fungos Aapergillus fumigatus, Aspergillus flavus e Aspergillus glaucus. Os sintomas são: diarréia meio esverdeada, sede intensa, abatimento, tosse, febre, inapetência, crise de respiração com catarro, o pássaro fica abrindo e fechando o bico e expulsando catarro do nariz. Manifestações diarréias crônicas de cor amarelada também são comuns.

O grande problema ainda é que ela nos filhotes quase sempre vem associada a outra doença, notadamente a colibacilose e mycoplasmose. O diagnóstico pode ser feito através de microscópio, examinando a secreção catarral ou um esfregaço das vias respiratórias.

A profilaxia de um modo geral é não se ministrar aos pássaros comidas úmidas, mofadas ou vencidas. Não mantê-los em ambientes úmidos e mal ventilados. A umidade nas gaiolas e no ambiente são as principais causas dessa doença. Os esporos (sementes de fungos) ficam no ar, à espera de algum ambiente úmido para ali formar uma colônia de fungos.

É muito difícil conseguir a cura. Existe terapia específica, porém não consegue atingir eficientemente o tipo de lesão granulomatosa formada na ave em diferentes órgãos. Existe medicamento fungicida natural, extraído de vegetais e também o proprionato de cálcio, administrado misturado às sementes à base de um grama por quilo, para impedir o desenvolvimento desse fungo e conseqüentemente formação de suas micotoxinas, principal causadora de moléstias.
Podemos até terminar com os fungos, aquecendo no forno as sementes, todavia as micotoxinas são termoestáveis, ou seja, resistentes ao calor e tem um caráter acumulativo, isto é, cada vez que a ave ingere a micotoxina ela é depositada no seu organismo, não sendo eliminada facilmente.

As micotoxinas causam mortalidade em adultos e filhotes, baixa fertilidade, queda de resistência à doenças por atingir órgãos imunes etc. Interessante fazer periodicamente a fumigação ou seja retirar os pássaros do criatório e através de um fungicida em fumaça seja retirar os pássaros do criadouro e através de um fungicida em fumaça utilizado em granja de frangos para exterminar os fungos do ambiente.

Criação de Curiós e Bicudos
Aloísio Pacini Tostes

 


AUTO DEPENAGEM

Nessa doença o pássaro arranca suas próprias penas e é bastante comum nos bicudos.

Pode ser provocada por vários fatores, tais como:

  • infecção de parasitas
  • disfunção hormonal
  • estresse
  • má alimentação


No início da doença, a ave passa a coçar-se muito para logo depois começar a arrancar com o bico as penas das costas, das coxas e do abdômen. Finalmente fica com a pele exposta. É uma situação muito desconfortável, pois não terá mais as penas para protegê-la do calor e do frio. Em casos mais graves, o pássaro atingido arranca até as penas do rabo e das asas.

A profilaxia é tratar bem as aves, verificar periodicamente eventual infestação de piolhos e ácaros. Todo cuidado também com o manejo dos pássaros, antes que a muda anual esteja completa, isto é, não manuseie a ave antes que as penas se apresentem brilhantes.

O sucesso da terapia é muito difícil, às vezes não há cura. Quando é parasita, basta usar inseticida de tempos em templos, não esquecer de limpar bem o ambiente. É salutar que se passe, após retirar o pássaro, água quente na gaiola, podendo usar algum inseticida solúvel em água e passar os poleiros no fogo.

A piretrina é o inseticida menos tóxico para aves e a melhor forma de administra-la é no banho ou em pulverizações com bombinha, porque ela é solúvel em água. Não use a formula em pó por causa do veiculo, que ataca os pulmões.
Quando o problema é oriundo de estresse profundo, a única solução é soltar a ave doente no viveiro grande, protegido das correntes de vento, onde ela possa tomar sol e chuva à vontade.

Criação de Curiós e Bicudos
Aloísio Pacini Tostes

 


BOUBA AVIÁRIA

Ataca pouco os bicudos e curiós, mas acontece muito nos canários da terra e pintassilgos, notadamente nos criadouros onde há falta de higiene. Também chamada de Pipoca ou Varíola Aviária. É uma doença infecto-contagiosa provocada por vírus.

Percebe-se claramente quando as aves estão com essa doença pelos inchaços e pelotas nas pernas, nos pés, em volta do bico e perto dos olhos. Há ainda sinais de calvície.    Ocorre a formação de nodulações de aspecto tumoral, às vezes contaminadas por bactérias, contendo pus e sangrando muito. As penas da região afetada costumam cair.       A bouba interna pode formar verdadeiras aftas no trato digestivo e respiratório, causando morte de cerca de 80 a 90% do plantel. Na forma interna, pode causar diarréia, dificuldade respiratória e de ingerir alimentos, bem como nodulações nos pés, todas de caráter muito contagioso, é a que mais acontece com passeriformes nativos brasileiros.   Quando estão com essa doença em estado avançado, os pássaros quase não comem, ficam febris e acabam morrendo caquéticos. É um flagelo quando acomete os curiós, especialmente.

Não existe tratamento para a bouba, pois é causada por vírus. Quanto mais remédio se dá mais os pássaros sofrem sem nenhum efeito positivo. Teríamos que vacinar as aves todos os anos, porém, no Brasil não temos vacinas das cepas de vírus que acometem nossos pássaros. Alguns criadores arriscam dar vacinas importadas, contudo, estaremos trazendo para o País cepas que inexistem aqui e contra as quais nossas aves não tem nenhuma resistência, mas é a única solução para a cura e prevenção.

Diz-se ultimamente que desinfetantes hospitalares de baixa toxidade e que ativa mesmo em presença de matéria orgânica tem também bons resultados na cura e notadamente na prevenção.
Um tratamento à base de Thuya brasilienses é muitas vezes preconizado para lesões externas, podendo ser passado nas lesões através de um pedaço de algodão embebido duas vezes ao dia. Deve-se ministrar esse remédio na água de beber durante 12 dias, a base de 5 gotas para 50 ml de água. Caso não haja o medicamento, podem-se tratar os locais atingidos com tintura de mercúrio cromo ou violeta genciana longe dos olhos, e perto dos olhos, água boricada. Alguns criadores têm administrado, com sucesso, o medicamento homeopático arnica potência CH6.

A profilaxia é a desinfecção e limpeza do criadouro, impedindo a ocorrência de mosquitos e moscas e o isolamento das aves doentes. As contaminadas e que se curam podem tornar-se portadoras sãs e tem resistência para o resto da vida.

Os pássaros mortos quando colocados imediatamente em congelador logo após a morte, podem ser usados para diagnóstico preciso da doença. Caso já se tenha essa certeza, devem ser cremados ou enterrados em vala com muito cal ao redor.


Criação de Curiós e Bicudos
Aloísio Pacini Tostes

 


BOUBA

Prevenção e Profilaxia

J.Bernardino
Consultor Técnico COBRAP - www.cobrap.org.br
Membro do Grupo - Sítio dos Carduelis - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

A Bouba, também chamada de varíola aviária, difteria aviária, epitelioma viral. É uma doença altamente infecciosa e que causa grandes prejuízos aos criadores e seus plantéis. Essa doença manifesta-se em três formas diferentes
Cutânea – caracterizada pelo desenvolvimento de nódulos na pele.
Diftérica – lesões internas do aparelho respiratório e digestivo, lesões na língua, faringe, laringe, etc.
Forma mista - apresentando os nódulos e lesões internas.
O causador dessa doença é o Pox vírus. A transmissão pode ser feita pelos seguintes agentes infectantes:

  • De ave para ave através de lesões da pele ou mucosa
  • Fezes
  • O ar
  • Através de picadas de mosquitos, ácaros de pele.
  • Objetos/acessórios de criação e mesmo roupas e sapatos de pessoas.
  • Aves portadoras sãs.


   O período de incubação dessa doença é em torno de 4 dias em canários. O mesmo deve ocorrer em outros passeriformes como os Carduelis sp. Causa pneumonias, apnéias, dificuldades na alimentação (pegar os alimentos e come-los), diarréias, perda de peso e alto índice de mortalidade. Apatia, perda do apetite, febre, patas doloridas, coceira no bico.

A perda em uma infestação de grande porte pode chegar à 100% do plantel , é fato pois, as aves que não morrem, tornam-se portadoras sãs, tornando-se então fontes de contaminação. Portanto, teríamos que eliminá-las para que não infectassem novas aves que fossem introduzidas ao plantel. A forma cutânea é facilmente identificável pois, aparecem nódulos(pipocas) nas patas, en torno dos olhos, etc. A forma difterica só é diagnosticada com precisão com exames de necrópsia pois, as áreas atingidas são internas e os sintomas podem confundir-se com os de outras doenças. O correto, como para qualquer outra enfermidade, é ao menor sinal de anormalidade, separar-se o pássaro doente do resto do plantel, se possível e preferencialmente em outro ambiente, mantendo-o em observação e procurar-se ajuda profissional.

Imunização

A forma de imunização é a vacinação. A imunização total de um indivíduo só acontece após anos de vacinação portanto, esse processo deve ser repetido anualmente. Para aves nativas brasileiras não temos desenvolvidas no mercado vacinas contra bouba porém, existe vacina importada para canários(Serinus canarius) e que poderia ser usada para os nossos nativos. Esse ano vacinei todos os canários de cor de um criador amigo meu, cerca de 160 pássaros. E também alguns nativos que ele possui. Foram três pintassilgos, dois bigodinhos, um colerinha, um azulão, dois sanhaços, um caboclinho, um brejal e um patativa chorona. E todos estão bem, não sei se haverá imunização pois, teríamos que fazer vários testes laboratoriais e isso exige uma verba razoável. Uma alternativa para diminuir custos seria a formação de grupos de criadores para financiar esse tipo de pesquisa. Vejam bem, aplicar-se a vacina em várias espécies e fazer-se exames laboratoriais para se verificar a eficácia da vacina. É uma idéia válida e interessante para que os criadores pensem essa possibilidade pois, haveria um ganho para todos e aumentaria a segurança sanitária de nossos plantéis

Escrito por José Bernardino, em 2/9/2003.


BRONQUEÍTE E TRANQUEÍTE

Causas: Correntes de ar, aves em local de ar não renovado, bruscas mudanças de temperaturas.

Sintomas: A ave perde o apetite, narinas obstruídas, bico aberto, rouquidão e catarro, a ave não canta e fica agitada.

Tratamento: Separar o pássaro, colocando-o em uma temperatura de 30C. Avitrin Antibiótico, Norkill, Enro Flec 10 ou Linko Spectin na água de beber.
Canto e Fibra.

 


CALOSIDADE NOS PÉS

Doença muito comum, notadamente nos bicudos. É oriunda da falta de cuidado com os poleiros, bem como da observação adequada do crescimento exagerado das unhas.

Com o passar do tempo, se o poleiro não é limpo e desinfectado, torna-se ensebado e escorregadio, envolto em uma crosta de excrementos e restos de comida. Chega a brilhar de tanta sujeira e gordura.
Assim, o pássaro em pouco tempo estará propenso a adquirir uma atrofia nos pés que mais tarde poderá se transformar em calo. Doença das mais graves e incômodas. Porta de entrada para uma série de infecções que pode levar a ave à morte.

A profilaxia deve ser:

limpara sistematicamente todos os materiais existentes na gaiola;

aparar periodicamente as unhas

não deixar que se entortem com poleiros muito grossos.
Como terapia, se limpa os pés com água morna, passando-se pomada à base de glicerina para lubrificar, podendo até ter enxofre. Cortam-se as unhas e coloca-se um calicida no olho do calo. Isso tudo uma única vez para não provocar estresse. Em seguida, colocam-se poleiros tipo convexos durante 30 dias, descansando 8 dias, para colocá-lo de novo por mais 30 dias. É bom que se usem também poleiros de material macio, tipo do talo de buriti Mauritia-vinifera.

Criação de Curiós e Bicudos
Aloísio Pacini Tostes

 


CARÊNCIA VITAMÍNICAS

Vitamina A

A Carência da vitamina A pode ocasionar crescimento retardado e diminuição na produção de ovos.

Vitamina B1

A Carência da vitamina B1 pode ocasionar desordens nervosas em aves jovens ou adultas, culminando em uma paralisia característica chamada polineurite.

Vitamina B2

A Carência da vitamina B2 pode ocasionar baixa eclosão e embriões com dedos torcidos e deformados.

Vitamina B6

A Carência da vitamina B6 pode ocasionar movimentos desordenados, seguidos de convulsões, exaustão e morte.

Vitamina B12

A Carência da vitamina B12 pode ocasionar anemias macorcíticas (produzidas por hemorragias e atos cirúrgicos). Ocasionam problemas com o crescimento, perdas de peso e do apetite.


Vitamina C

A Carência da vitamina C pode comprometer as defesas orgânicas, principalmente durante períodos de convalescenças de doenças infecciosas, hemorrágicas e estados febris.

Vitamina D3

A Carência da vitamina D3 pode ocasionar cascas finas e quebradiças nos ovos.

Vitamina E

A Carência da vitamina E pode ocasionar azoospermia e necrospermia nos machos; infertilidade, abortos e esterilidade nas fêmeas.

Vitamina H

A Carência da vitamina H (biotina) pode ocasionar dermatite. A base dos pés fica áspera, calosa e pode apresentar feridas, formando hemorragias.

Vitamina K

A Carência da vitamina K pode diminuir a resistência às hemorragias e aumentar o tempo de cicatrização.

 


COCCIDIOSE

O melhor tratamento para a coccidiose é o preventivo, já que esta doença é altamente contagiosa e pode causar grandes prejuízos se houver disseminação no criadouro. A higiene é essencial para evitar esse mal. A desinfecção permanente das instalações é fundamental para dificultar a infestação dos protozoários. Umidade e calor até por volta de quarenta graus centígrados fazem parceria para o aparecimento da coccidiose. Nesse tipo de ambiente os parasitas encontram meio adequado para a proliferação.

Uma vez expelidos pelas aves através das fezes contaminadas, se espalham pelas gaiolas ou viveiros e tão logo são ingeridos pelos pássaros no meio da comida, desencadeiam a enfermidade que, na maioria dos casos, leva à morte, porque causa lesões sérias no intestino, mas já foram detectadas em outros órgãos. É praticamente impossível acabar com a doença em criadouros; o que se pode fazer é provocar a imunidade natural nos pássaros através de um trabalho bem cuidadoso.

Em locais propícios, o oocisto (pequenos ovos do protozoário) sobrevive por quase três meses e para cada oocisto ingerido pela ave podemos obter quase um milhão de outros oocistos. Por isso é que sem tratamento e cuidados preventivos é quase impossível se obter sucesso na criação de pássaros. Todo pássaro teve a doença não deve tê-la eliminado totalmente de seu intestino, podendo ter novo surto por um aumento indiscriminado do parasita em virtude de queda de resistência . As coccídias não são da flora microbiana intestinal. Essa afecção, que é provocada por seres muito pequenos, pode ser de dois grupos: eiméria e isospora, sendo que o primeiro atinge somente o intestino e o segundo, mais específico para passeriformes , inclusive bicudos e curiós, podem atingir outros órgãos. As instalações devem ser mantidas o mais limpas possível. O ideal é um piso telado, onde as fezes caiam para fora do viveiro, impossibilitando a ingestão de oocistos ou também fundos de gaiolas forrados de papel absorvente (tipo jornal), que serão retirados diariamente.

O sintoma mais evidente é o aparecimento da diarréia. As fezes sujam a cloaca, podem ter aspecto gelatinoso ou conter alimentos mal digeridos. Nem sempre são espalhadas ao atingirem o fundo, devido à quantidade de muco que solta o intestino, mantendo o seu formato. Sua coloração vai desde o amarelado até cor de borra de café, quando contém sangue digerido.

A ave fica embolada, podendo se alimentar ou ter um excesso de apetite, na grande maioria, devido à má absorção de nutrientes causada pelo parasita. Fica no cocho quase o dia inteiro e não se nutre, esse é um dos maiores sintomas. Com a ajuda de um veterinário, pode-se confirmar a existência da doença através das fezes examinadas em um microscópio.

Existem vários tipos de coccídias, cerca de trinta espécies somente dos passeriformes. São, na sua maioria, espécies de isospora. As espécies que atacam de galinha não acometem os pássaros, por isso vacinas desenvolvidas para elas não dão resultado para bicudos e curiós.
Os criadores de pássaros devem ter sempre em mente a prevenção, quando ainda não tiver sido detectada doença em sua criação, pois , quando ocorre o mal é muito difícil determinar a causa. O controle, quando já tiver tido surto de coccidiose, é fundamental para o sucesso da empreita. A eliminação total é impossível, devido à resistência do protozoário a todos os tipos de desinfetantes, exceto calor contínuo (água fervente, vassoura de fogo ou estufas de esterilização ). Se mantivermos baixa a infestação de nossas aves, elas se tornarão imunes e transmitirão tal imunidade para os filhotes.

Algumas medicações devem ser usadas para emergências e outras para prevenção. O jeito é prevenir para não precisar remediar. Primeiro com a higiene e desinfeção periódica das instalações e depois com doses preventivas de medicamentos coccidiostáticos. Devem ser ministradas doses precisas, de forma que os pássaros vão aos poucos adquirindo imunidade contra a doença. Doses erradas de medicação causarão toxicidade (doses altas) e resistência da coccídia ao medicamento (doses baixas). Logo a seguir , é importante que se ministre polivitamínico rico em vitamina A.

A transmissão é sempre através da ingestão de fezes contaminadas, depositadas no fundo da instalação, nos poleiros sujos, nas paredes onde a gaiola está encostada etc. Gaiolas e viveiros com os fundos telados muito contribuem na profilaxia. A contaminação também é provocada por moscas que transportam os oocistos de um lugar infectado para outro.

O bom seria a desinfeção com cal virgem, lança chamas ou estufa de calor a 150 graus Celsius para as gaiolas e apetrechos , tomando-se as devidas precauções na adoção desses procedimentos.
O tratamento curativo é feito com remédios à base de sulfa, nitrofuranos, ionóforos e outros. Está se usando ultimamente um produto muito eficaz contendo metilclorpindolo e vitaminas. A medicação é sempre repetida após 15 a 20 dias da primeira, contudo o tratamento costuma resolver bem quando se percebe a doença em sua fase inicial. Para se obter sucesso, tem-se também que desinfetar a gaiola contaminada a cada 3 dias, se possível com fogo, e desencostá-la da parede para evitar nova infestação.

Criação de Curiós e Bicudos
Aloísio Pacini Tostes

 


COCCIDIOSE II

Isosporas - Novas espécies
DESCOBERTAS SEIS NOVAS ESPÉCIES DE ISOSPORAS CAUSADORAS DE COCCIDIOSE EM BICUDOS E CURIÓS

A criação comercial e dentro das normas legais, de curiós e bicudos (Oryzoborus angolensis e Oyizoborus maximilianis), iniciada no Brasil na década de 80 (1980), tem hoje um crescente número de criadores e aficionados. A criação comercial, dentro das normas legais e sob o controle do IBAMA (Instituto Nacional do Meio Ambiente), acaba sendo de grande importância, como forma de preservação e multiplicação dessas aves, além de no futuro gerar divisas ao país com a venda de animais criados em cativeiro para criadores do Brasil e até do Exterior.
Por ser recente, tem encontrado dificuldades, com a ausência de trabalho científico relacionado a aspecto clínico e manejo. O médico veterinário e pesquisador Evandro Trachta e Silva, constatando a carência, viu nisso motivo para escolher como tema para sua pesquisa ocorrência e importância de coccidiose em aves do Brasil, especialmente na espécie Orizoborus angolensis a Orizoborus naximiliani. No período de 2003-2005, realizou o monitoramento da infecção por coccídios em Orizoborus angolensis e Orizoborus maximiliani em mais de 1.100 aves de criadouros na região sudeste do estado de Mato Grosso do Sul, tendo, durante a pesquisa, identificado 06 (seis) novas espécies de coccídios de importância veterinária (em fase de publicação).

O pesquisador Evandro Trachta e Silva, que é aluno de doutorado (Ph.D), no programa de Pós Graduação no Departamento de Biologia e Doenças de animais de vida livre na Faculdade de Veterinária, Higiene e Ecologia da Universidade de Farmácia e Veterinária de Brno, República Tcheca, atua também como professor de Biologia do Ensino Médio, além de ser sócio proprietário de uma Clínica Veterinária em Nova Andradina, MS.
Por conta de sua identificação e apego ao seu lugar, o pesquisador e médico veterinário Evandro Trachta e Silva não pensou duas vezes: Para homenagear sua cidade de origem, Batayporã, registrou como isospora batayporaensis uma das suas descobertas. E para as outras: isospora dourados, isospora bicudu, isospora curió, isospora brasiliensis e isospora paranae.

Evandro Trachta afirmou que, para a realização dessa pesquisa, foi de grande importância a contribuição e o apoio de seus orientadores Prof. MVDr. CSc. Ivan Literak e o Prof. MVDr. CSc. B. Koudela, da Universidade de Farmácia e Veterinária de Brno .

Com o levantamento desses dados na incidência de coccidiose em criação de bicudos e curiós na região Sudeste do Estado de Mato Grosso do Sul, e o futuro conhecimento do ciclo desses parasitas recém-descobertos poderão trazer subsídios sobre as melhores formas de manejo e tratamento desses animais. Para se faz necessário a continuidade das pesquisas, mas infelizmente o pesquisador relata a dificuldade, pois não conta com apoio de nenhuma instituição brasileira para seu trabalho.

Contatos com o pesquisador:
MVDr. Evandro Trachta e Silva e-mail:
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Nova Andradina, MS
Escrito por Evandro Trachta e Silva, em 28/8/2005

 


CÓLERA AVIÁRIA

Doença infecciosa provocada pela bactéria Pausterella avium, ataca com média freqüência os bicudos e curiós. Acontece com a ingestão de alimentos contaminados, contatos com outros pássaros doentes e pela respiração da respectiva bactéria em locais com pouca circulação de ar.

Os sintomas são: nos casos mais graves, morte súbita quase sem explicação; nos casos mais brandos, os pássaros aparecem com abatimento, sonolência,bico semi-aberto, com ocorrência de muco bucal, fezes brancas, com algum sinal de sangue e morte, precedida de convulsão ao final do quinto dia.
A profilaxia consiste em muita higiene, cremar os cadáveres e fazer quarentena de 21 dias nas novas aquisições. Locais arejados para as gaiolas ajudam muito.

O diagnóstico exato só pode ser feito em exames laboratoriais para detecção da bactéria. Como terapia usam-se os antibióticos cloranfenicol e tetraciclina, como também as sulfas.

Criação de Curiós e Bicudos
Aloísio Pacini Tostes

 


COLIBACILOSE

Doença infecciosa provocada pela bactéria Escherichia coli, pode ser encontrada como flora normal do intestino do homem, mamíferos e aves. As formas patogênicas para aves são específicas desse grupo e nunca foram encontradas contaminando qualquer mamífero . As formas não patogênicas assim como as patogências são eliminadas pelas aves através das fezes. A bactéria muitas vezes existe em estado latente e em geral aparece depois de alguma queda de resistência ou estado de estresse, principalmente o de fungos. Seus locais de ação são: pulmão - sacos aéreos - coração, fígado, ovários, oviduto, saco da gema do embrião e dos filhotes até a segunda semana de vida (cicatriz umbilical dos adultos), peritônio, podendo tomar toda a economia da ave, causando septicemias. É uma doença gravíssima em um criadouro, responsável pela dizimação de filhotes, todo cuidado é pouco. Se quisermos sucesso temos que evitá-la a todo custo.

Os sintomas são, nas formas mais graves, poliúrias (excesso de urina), dispnéias, morte súbita, crescimento retardado de filhotes, baixa eclodibilidade, baixa fertilidade das fêmeas, febre, espirros, sede intensa e morte ao final do quinto dia.

O diagnóstico se faz com exames laboratoriais de aves mortas.
A profilaxia é feita com muita higiene, não deixar acúmulo de fezes, de muita umidade e com o isolamento da ave suspeita. Como terapia usam-se os antibióticos: cloranfenicol, tetraciclina e eritromicina, bem como sulfas e outros, todavia é melhor fazer o antibiograma porque esta bactéria tem se mostrado muito resistente a muitos tipos de medicamentos.


Criação de Curiós e Bicudos
Aloísio Pacini Tostes


COLIBACILOSE II

Prevenção e Profilaxia
REDATOR: Dr. JOSÉ CARLOS PEREIRA
RUA JOAQUIM DO PRADO, 49. CRUZEIRO/SP. TELEFAX 0xx12 5443590 Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

AS ESCHERICHIAS CAUSADORAS DE DIARRÉIAS

   Há um grupo de bactérias chamadas Enterobacteriáceas porque vivem no intestino (entero = relativo ao intestino), principalmente no cólon, embora possam também colonizar outros habitats. Têm a forma de bacilos (bastonetes), vivem em ambiente com oxigênio (aeróbias) ou sem ele (anaeróbias facultativas), fermentam a glicose produzindo ácidos e gases, possuem cromossomo com duas hélices de DNA e algumas apresentam flagelos que facilitam a movimentação. Resistem ao ambiente ácido do estômago e ao ambiente alcalino, detergente (determinado pelos sais biliares) e rico em enzimas do intestino delgado. Algumas são apenas comensais e outras podem ser extremamente patogênicas como as Salmonellas, as Shigellas, a Edwardsiella, o Citrobacter e a Yersinia. São resistentes a muitos agentes físicos, mas podem ser mortas pelo calor de 54.5 graus centígrados por uma hora ou 60 graus centígrados durante15 minutos. Permanecem viáveis alguns dias na temperatura ambiente ou nas baixas temperaturas e durante semanas no esgoto, alimentos secos, agentes farmacêuticos e material fecal. São bactérias de grande plasticidade genética que permite viverem em vários habitats. Na superfície contêm três antígenos: o somático (O), o flagelar (H) e o capsular (K) que servem para os testes sorológicos para a identificação. Os fatores de resistência situam-se em plasmídeos que passam de uma bactéria a outra, o que, explica a facilidade de resistência dessas bactérias aos antibióticos mais usados nos consultórios, hospitais e na pecuária. Nos países temperados ocorrem mais nos meses quentes e nos trópicos nos meses mais chuvosos, os meses que contêm a letra R no seu nome.

Nos humanos, a E. coli é uma das três principais causas de diarréia em todo o mundo, sendo as outras duas o Campylobacter e o Rotavírus. É responsável por mais da metade dos cinco milhões de casos anuais da diarréia dos viajantes, como o Casablanca crud, o Delhi belli, o Turkey trot, o Aztec two-step e, o mais famoso, a vingança de Montezuma.

As Escherichias são divididas em cinco variedades capazes de provocar doenças diarreicas por mecanismos diferentes: a- E. coli enterotoxicogênica (ETEC), provoca doença por ação de potentes toxinas que não matam as células da parede intestinal, mas provocam alterações nos seus mecanismos de absorção de água e eletrólitos. Adere firmemente às células facilitando a colonização. É o agente mais comum da chamada diarréia dos viajantes e uma das principais causas de desidratação por diarréia em crianças nos países em desenvolvimento. Os sinais típicos são diarréia líquida explosiva, náuseas, vômitos, dor abdominal, febre baixa (ou sem febre) e que persistem por alguns dias; b- E. coli enteroinvasiva (EIEC), atua, como a Shigella, fixando-se e invadindo as células que revestem o intestino. A clínica é de febre, cólicas abdominais, que podem ser muito fortes, sinais gerais de toxicidade, tenesmo (esforço doloroso para evacuar) e diarréia aquosa e sem sangue, mas, algumas vezes, pode ser sanguinolenta; c- E. coli enteropatogênica (EPEC), não atua por toxinas e nem pela invasão celular. Age fixando-se às células e lesando as microvilosidades responsáveis pela absorção da água e dos eletrólitos. É importante causa de diarréia em crianças dos países em desenvolvimento, principalmente entre os neonatos, os menores de 2 anos de idade e crianças institucionalizadas. A diarréia não se apresenta com sangue, é aquosa, mas tem catarro e, geralmente, não há febre. Pode evoluir para a cronicidade prejudicando o crescimento da criança; d- E.coli enterohemorrágica (EHEC), produtora de toxinas, uma delas semelhante à toxina de Shiga das Shigellas, com grande poder de destruição das células dos mamíferos. É responsável, principalmente o serotipo O157:H7, por uns 20000 casos de colites, muitas vezes hemorrágicas, nos Estados Unidos. A clínica é de diarréia inicialmente aquosa evoluindo, em poucos dias, para sanguinolenta(sangue vivo ou oculto), dor abdominal intensa e, diferentemente da EIEC, a febre não é muito comum. Pode complicar, principalmente em crianças pequenas e nos idosos, com a síndrome hemolítico-urêmica (anemia por destruição das hemácias, queda das plaquetas e insuficiência renal) e e- E. coli enteroagregadora (EaggEC), atua pela adesão às células e produção de toxinas. A clínica é de diarréia com grande perda de líquidos e eletrólitos que leva rapidamente à desidratação, mas os vômitos e o sangue nas fezes não são freqüentes. Geralmente o quadro é prolongado, como acontece com a EPEC, podendo prejudicar o estado nutricional da criança.

Excetuando a E. coli enterohemorrágica e algumas E. coli enteropatogênicas, exigem uma grande inoculação de organismos para produzir doenças, o que, explica ser a transmissão pessoa a pessoa menos comum. A ingestão de água ou alimentos contaminados é a maneira mais comum de infecção, principalmente se houver pouco cuidado na manipulação dos alimentos e com o tratamento dos esgotos. Nos Estados Unidos, o consumo de hambúrguer mal cozido é a causa isolada mais freqüente dos surtos das infecções pela E. coli enterohemorrágica, cujo serotipo 0157-H7 também pode ser transmitido pelas fezes de gado vacum, veados e outros ruminantes que podem contaminar alimentos e a água; nos Estados Unidos essa bactéria já foi encontrada contaminando cidras, vegetais crus, salames, iogurtes e a água de locais de recreação.

As Escherichias podem provocar outras doenças, como 80% das infecções urinárias em crianças e, principalmente em recém-nascido, septicemia (disseminação pelo sangue).

As medidas preventivas mais eficientes são as alimentações dos bebês no seio, atenção com a higiene pessoal, principalmente lavar as mãos, com água e sabão, antes das refeições ou depois da ida ao sanitário, tendo cuidado especial com as unhas das crianças que devem ser lavadas com auxílio de uma escovinha; lavar muito bem os alimentos consumidos crus (legumes, verduras e frutas que, quando possível, devem ser descascadas pela própria pessoa), deixando-os numa solução de água e vinagre; quem manuseia alimentos (merendeiras, cozinheiras, chapeiros de carrinhos de lanches, etc.) deve ter muito cuidado com o asseio das mãos e, quando indicado, usar luvas; ao comprar alimentos embalados, cuidado com a data do vencimento e com embalagens amassadas, enferrujadas, furadas ou rasgadas; somente comer carnes bem passadas, sem nenhuma parte ainda vermelha e leite cru nem pensar. As mãos também devem ser lavadas após os cuidados com os cabelos, depois de limpar o nariz, depois de pegar ou cuidar de animais e depois da jardinagem. Enfim, lavar as mãos é o ato mais simples e eficiente para evitar a disseminação de inúmeros parasitas.

Quem viaja para locais onde o saneamento básico e as condições de higiene são pobres deve tomar somente água engarrafada de boa procedência, evitar pedras de gelo, comer frutas que possam ser descascadas pela própria pessoa, não comer saladas e comer refeições cozidas ou assadas a grandes temperaturas servidas ainda quentes, pois, se assim não fizer, poderá engrossar as listas dos acometidos pela diarréia dos viajantes.         Use luvas ao cuidar do jardim ou outras plantações, principalmente se houver o uso de esterco. Alguns autores aconselham cuidado especial ao manusear batatas, rabanetes e tudo o que der embaixo da terra.
Começada a diarréia, dar à criança o soro hidratante oral aos poucos e procurar orientação médica. Se não tiver o soro comprado na farmácia ou o soro oral fornecido pelos Postos de Saúde, preparar e usar o soro caseiro que pode ser preparado facilmente usando como medida uma tampinha de metal de garrafa, sem a rolha ou o plástico, devidamente fervida: 750 ml (igual a três mamadeiras cheias) de água fervida ou filtrada, uma tampinha de refrigerante rasa de sal de cozinha e nove tampinhas rasas de açúcar. Também pode ser usada, se estiver à mão, a medida fornecida pela Pastoral da Criança.

Para alguns autores, entre os pássaros a Escherichia coli chega a ser mais importante do que a Salmonella. Não há correlação entre os serotipos de Escherichias que acometem os humanos com os que acometem os pássaros porque ainda não houve a tipagem dos parasitas nos pássaros. Acredita-se que os serotipos 01, 02 e 078 estejam entre os mais freqüentes. Do mesmo modo, a patogenicidade da E. coli entre os pássaros não está bem clara. Na parede intestinal o mais encontrado é a inflamação catarral não específica provocada por uma enterotoxina, a qual, leva a grande aumento da exsudação de líquidos para a luz intestinal.. Mas, o grande achado, o orgasmo dos patologistas, é a lesão histológica que caracteriza a inflamação serofibrinosa (a fibrina é uma substância proteica, filamentosa, elástica e esbranquiçada que se deposita pela coagulação espontânea do sangue, da linfa e de alguns exsudatos. Faz parte dos processos inflamatórios) encontrada, principalmente, nos rins e no fígado. A inflamação serofibrinosa pode atingir outros órgãos como o olho (depósito fibrinoso na câmara anterior e uveíte), as serosas (membrana que envolve alguns órgãos como um saco e que secreta serosidade na sua face interna, o que facilita o deslizamento dos órgãos contidos nelas. São serosas a pleura que reveste os pulmões, o pericárdio do coração, o peritônio das vísceras abdominais e a túnica vaginal do testículo), as articulações e, mais raramente, o sistema nervoso central. As lesões serofibrinosas podem atingir os sacos aéreos. A pneumonia é rara, mas pode haver rinite primária ou secundária a outro foco da infecção. Os filhotes têm maior possibilidade de contraírem a pneumonia pela inalação de poeira do ninho contaminada. Os filhotes também são mais predispostos às infecções das articulações (juntas) e da medula óssea (o popular tutano) durante a disseminação das Escherichias pela via sangüínea (septicemia). A infecção dos órgãos genitais dos machos é mais rara, mas, atingidos os testículos, a esterilidade pode ser permanente. Creio que não precisamos queimar muito fosfato para atinarmos para a gravidade de uma infecção dessas num aviário grande ou com um manancial genético feito durante anos. Perdas qualitativa e quantitativa irrecuperáveis. As fêmeas podem apresentar inflamação fibrinosa do ovário e/ou do oviduto, geralmente processo crônico que termina com a infecção progredindo até o peritônio e daí, amigos, babau e partir para outra como diria minha avó. O ovário pode ser atingido por bactérias vindas por via ascendente da cloaca ou de outros focos infecciosos principalmente dos sacos aéreos. Como as fêmeas somente possuem um ovário pode-se raciocinar que a esterilidade seja mais comum do que entre os mamíferos que têm dois ovários. Algumas cepas de Escherichias podem destruir a parede intestinal formando ulcerações e a temível enterite pseudomembranosa ou ulcerativa, caracterizada por ulcerações cobertas por pseudomembrana formada por material necrótico e fibrina que se destaca em placas e que são vistas geralmente em exames pós morte. Outro aspecto patológico interessante é o chamado coligranuloma (formação tumoral de tecido conjuntivo jovem muito vascularizado formado no processo de cicatrização de uma úlcera ou ferida) encontrado na pele, no baço, no fígado, nos rins, no intestino; o centro do granuloma pode estar mineralizado.

Nas infecções limitadas à parede intestinal há diarréia líquida, amarelada ou esverdeada, algumas vezes com catarro e/ou sangue nas lesões mais profundas e ulceradas, aumento do volume urinário (interessante que, nas crianças diarreicas, há diminuição do volume urinário), perda de peso e, nos casos mais graves, grandes perdas proteicas com conseqüente caquexia (fraqueza extrema). A grande perda de líquido e sais minerais pode levar às desidratações. O pássaro apresenta-se triste, encorujado (sempre ouvi dizer que o pássaro encolhido e com as penas arrepiadas por frio ou doença estava encorujado. Agora vejo nos dicionários que os termos certos para essa postura dos pássaros são engrujado ou engurujado. Desculpem, Aurélio e Houaiss, mas vou no popular: encorujado porque parece postura de coruja), deixa de comer ou come muito menos e, se não for cuidado, corre grande risco de vida. Nos quadros septicêmicos há esses mesmos sinais, mas com características mais graves e acompanhados de letargia (indiferença ao meio ambiente e sonolência). Nos quadros com rinite o pássaro mantém o bico aberto para ajudar na respiração e podem ser observadas secreções nasais. Nos acometimentos pulmonares o pássaro pode apresentar-se com a pele cianótica (azulada) e dispneico (não gosto de dispnéico, parecendo-me muito afetado), respirando mais rápido e/ou profundo. As lesões articulares e da medula óssea são muito dolorosas, obrigando o pássaro a pousar num só membro e ficar relutante em movimentar-se (aí, caro Ivan de Sousa Neto, mais uma causa de lesão do trem de pouso dos passeriformes para preocupações). As infecções dos órgãos genitais serão sentidas na falta de ovos férteis e nos bolsos. Na realidade, ganhando a corrente sangüínea (septicemia) as Escherichias podem provocar abscessos em qualquer órgão.

Agora vem um probleminha. O diagnóstico laboratorial, diferentemente do que se pensa, não é fácil. Nas infecções que envolvem fluídos normalmente estéreis, como a urina, o sangue, a bile, as secreções pleurais ou peritoniais e o líquor, o isolamente da Escherichia por cultura é um dado fidedigno, desde que a coleta do material seja tecnicamente perfeita. Mas, no caso da cultura de fezes, sabendo-se que as Escherichias são também comensais integrantes da flora intestinal normal, o furo é mais embaixo e os resultados pouco orientarão no diagnóstico; para isso seria necessário tipar a bactéria por técnicas sofisticadas, como a ampliação do ácido nucléico, na busca de genes de bactérias potencialmente mais virulentas, as quais, somente são disponíveis em laboratórios de ponta a custos proibitivos. Portanto, amigo passarinheiro, não quero desanimá-lo, mas não fique confiando muito que uma cultura de fezes positiva para Escherichia, com antibiograma baseado nela, irá resolver o problema dos seus pássaros. Confie mais no olho clínico, na experiência e no taco do seu veterinário.

Como digo sempre, tratamento é campo dos veterinários. Os genes que codificam a virulência e a resistência da bactéria aos antibióticos estão no mesmo plasmídeo (parte extracromossômica da célula bacteriana portadora de informação genética). O recado genético é o seguinte: se for usado antibiótico inadequado, cria-se a resistência e agrava-se virulência bacteriana. Praga de sogra. Portanto, se for indicado antibiótico, deve ser o mais adequado e usado dentro dos padrões técnicos que favoreçam a sua eficiência. O uso de antibióticos para evitar a doença somente irá selecionar as bactérias mais resistentes. Não posso deixar de falar, está dando cócegas. A enterocolite pseudomembranosa é um dos terrores dos pediatras. É determinada por bactérias anaeróbias, principalmente o Clostridium difficile, no decorrer ou alguns dias após o uso de antibióticos como a ampicilina, a cefalosporina e a amoxicilina, os quais, causando desequilíbrio na flora intestinal, favorecem o crescimento das bactérias patogênicas. Tem alto índice de mortalidade. Volto a insistir: somente usem antibióticos com a orientação do veterinário e evitem usá-los profilaticamente. Hoje, na medicina humana, não são mais usados nas gastroenterites medicamentos adsorventes como o caolin-pectina (entre outros motivos, por espoliarem alguns eletrólitos como o sódio e o potássio) e os antiespasmódicos como o elixir paregórico, o loperamide e o difenoxilato (diminuem a motilidade intestinal que é fator de defesa e prolongam o tempo de excreção de algumas bactérias patogênicas). O uso dos medicamentos contra vômitos é muito limitado (podem deprimir o sistema nervoso central do animal, piorando o quadro e dificultando a reposição do soro por via oral). Geralmente os vômitos melhoram com a hidratação. Creio que devemos seguir os mesmos preceitos com os nossos pássaros, inclusive para darmos exemplo mantendo posição ética com eles que somente nos alegram. Não temos o direito de agredi-los com baboseiras e que tais.

  E daí, devem estar perguntando os passarinheiros, o que temos a ver com essa pendenga? Tudo.

As Escherichias podem atingir o homem vindo dos animais (zoonose) e vice-versa para não ser injusto com os nossos pássaros. Portanto, além da importância do controle das Escherichias no plantel, as atitudes do criador passam a ter um sentido social mais amplo.

O controle é relativamente fácil. O principal modo de transmissão é o fecal-oral: saída dos parasitas pelas fezes, contaminação do meio-ambiente e entrada pela boca. Desconhecer esse princípio básico é dar mole para o bandido. Portanto, quase todos os cuidados citados aí em cima envolvendo o homem têm tudo a ver com os passarinheiros. Estão todos na mesma barca e o azar de um pode ser a desgraça do outro.
Especificamente, alguns cuidados podem ser tomados pelos passarinheiros para evitar que o seu criatório (criadouro. Na verdade, ainda não achei uma boa e definitiva palavra para definir o local onde são criados pássaros) torne-se foco exportador e importador de Enterobactérias:

-Lavar rigorosamente as mãos com água e sabão, sabão mesmo, esfregando as unhas com uma escovinha antes de manusear as frutas, as hortaliças e a água que serão fornecidos aos pássaros. As mãos devem ser lavadas, sempre com água e sabão, antes e depois de manusear pássaros ou os utensílios.

-Lavar rigorosamente, com água e sabão, frutas e as hortaliças que serão dadas aos pássaros e enxágua-las muito bem. Podem ser deixadas por alguns minutos em solução água e vinagre ou de hipoclorito de sódio, não se esquecendo de enxaguar copiosamente antes de dá-las aos pássaros. Pela simplicidade, creio que o lavar as mãos e as frutas e hortaliças já será uma grande ajuda no controle desses parasitas.

-Oferecer aos pássaros somente água, no mínimo, filtrada. A água fervida seria mais seguro, desde que seja mantida no fogo pelos menos durante 20 minutos após levantar a fervura. Os mesmo cuidados devem ser tomados com a água para os banhos dos pássaros. Esfregar bem os bebedouros para remover o biofilme líquido que fica na superfície e que pode albergar muitas bactérias. O ideal seria ter jogos de dois bebedouros para intercalá-los diariamente, possibilitando a secagem completa de um dia para o outro do que não estiver sendo utilizado. É bom lembrar que as Enterobacteriáceas, como as Escherichias, adoram uma água, sendo mesmo conhecidas como bactérias dos meios líquidos e, para elas, qualquer filmezinho líquido é um piscinão de Ramos. Lavar, se possível de maneira individualizada, os utensílios também com água filtrada. Se for possível, pelo menos uma vez por mês, ferver os utensílios resistentes à fervura, principalmente as grades e as bandejas do fundo da gaiola. Se for organizada uma rotina, mesmo nos criatórios maiores as atividades profiláticas serão relativamente fáceis. Alguns criadores que dão sementes germinadas aos seus pássaros devem ter cuidado com a água usada para provocar a germinação. O mesmo cuidado deve-se ter com a água usada para umedecer as farinhadas.

-A manutenção higiênica do prédio onde está instalado o criatório deve ser diária, evitando o acúmulo de dejetos e restos alimentares. Ter um jogo de mangueira, pazinha de limpeza, baldes, botas, vassouras, rodos, cestos de lixo, etc. somente para dentro do criatório. Se existirem mais de um ambiente, um jogo para cada um. Verão que vale a pena o investimento. O uso de detergentes e outros produtos de limpeza bactericidas deve ser feito com orientação técnica. Aqui não cabem improvisações. Ainda advogo o uso de vassouras de fogo tendo, é lógico, cuidado para não colocar fogo no prédio e nos pássaros. Sempre usei esse procedimento no canil e é tiro e queda. Nunca houve problemas com parasitas externos e, de quebra, elimino alguns parasitas internos que teimam em viver algum tempo fora do organismo. É método de fácil execução, rápido e não tem ação residual como os produtos químicos. Com técnica adequada não danificará paredes, desde que não se fique com o fogo muito tempo num só lugar como estivesse assando um churrasquinho, e, creio, poderá ser usada nas gaiolas de arame vazias. Tendo-se o cuidado de tirar os pássaros do ambiente, isolando-se as partes combustíveis das instalações, evitando-se a presença de líquidos inflamáveis, etc., o método é seguro. Aconselho procurar informações com alguém que já tenha alguma experiência para não cometer erros de principiante.

-Tratar as fêmeas com Escherichia é essencialíssimo pela possibilidade delas infectarem verticalmente os filhotes.
-Tratar os machos galadores infectados, pois, por ser comum usá-los com várias fêmeas (poligamia), poderão contaminar o plantel numa proporção geométrica. Não tenho qualquer dado sobre o assunto, mas seria esperada maior possibilidade de contaminação dos machos, devido às grandes aberturas do bico durante os cantos, pela poeira contaminada.

-Manter em observação e isolados todos os filhotes nascidos de mãe e/ou pai contaminados. Os gaiolões com muitos filhotes funcionariam como creches ampliando a disseminação da bactéria.
-Não caia naquela de dar antibióticos com finalidade profilática. São muito poucos os casos em que o uso profilático de antibióticos tem valor comprovado. E a Escherichia coli não é um deles. Fazendo isso você estará criando cepas resistentes da Escherichia, um problema para a sua própria família e para os seus pássaros. Cepas resistentes de uma bactéria que se propaga facilmente num canaril são pragas de sogra (só um xiste, porque a minha era ótima, não tenho queixas).

-Muito cuidado com as fezes das aves. O papel do fundo da gaiola deve ser trocado diariamente. O costume de colocar várias camadas de papel não é bom, pois, o filtrado da parte líquida fecal pode levar os parasitas para a folha de baixo (lembrar que estamos lidando com seres microscópicos). Deve ser usada uma folha de papel e a bandeja deve ser limpa diariamente e colocada ao sol (para isso, seria bom ter, pelo menos, duas bandejas por gaiola). Individualizar as bandejas para evitar usar bandeja usada em gaiola de pássaro contaminado em a gaiola de pássaro não contaminado, criando, assim, condições para disseminação da infecção pelo criatório. Se você usa areia na bandeja, tenha muito cuidado, pois, se não houver troca constante e higiene impecável, será um meio propício para manutenção dos parasitas.

-Muito cuidado com as gaiolas usadas para manter os machos ou levá-los aos torneios. Como ficam a maior parte do tempo fora do criatório, têm maiores possibilidades de ser depósitos de parasitas. São feitas de madeira, com muitos detalhes e têm muitas saliências e reentrâncias que facilitam a vida dos parasitas e dificultam higienizá-las. E, na maioria das vezes, não possuem grade separando a bandeja dos pássaros como acontece com as gaiolas de criação. Creio que, num futuro próximo, poderão ser substituídas por gaiolas feitas somente de arame.
-As vasilhas contendo sementes, farinhadas, minerais e água devem ser colocadas de modo a evitar que sejam atingidas pelos jatos evacuatórios dos pássaros. Inspecioná-las diariamente e, se estiverem sujas com excrementos, desprezar o conteúdo e higienizá-las.

-Muito cuidado com os poleiros. Devem ser colocados de maneira que não possam ser sujos pelas fezes, pois, pelo hábito das aves limparem o bico neles após alimentarem-se, a contaminação será fácil.
-Cuidado especial com pássaros trazidos de fora do canaril, mesmo que seja somente para uma galadinha. Fazer quarentena nem sempre é praticável. Se o galador vier de canaril que mantenha boas condições higiênicas tudo fica mais fácil. Seria ótimo os donos dos bons pássaros galadores manterem os pássaros em ótimas condições de higiene física, social e até mental, pois, eles podem representar um boa fonte de renda para abater nas despesas do criatório.
-Com as aves adquiridas para compor o plantel a quarentena é obrigatória, a não ser que venham de criatório que mantenha rígidas condições de controle sanitário do plantel.

   Creio que a quarentena de três semanas seja suficiente para a maioria das doenças infecciosas. Não trazer o pássaro em gaiolas do criatório de onde o adquiriu. Manter o pássaro entrante fora das instalações que albergam o plantel. O ideal seria uma pessoa para cuidar somente dele e que não tivesse acesso ao criatório. Se não, usar luvas ou lavar rigorosamente as mãos, com água e sabão, após o trato e cuidados com os utensílios da ave em quarentena. Todos os utensílios, produtos alimentares, vassouras, pazinhas, cestos de lixo, etc. devem ser mantidos separadamente dos usados para o plantel. Ponto de água para lavar os utensílios separados. Muito cuidado com os excrementos. A quarentena deve ser para valer ou nem vale a pena ser feita.

-Cuidado com os machos que vão a torneios ou a outros criatórios para coberturas. Seria interessante ter uma gaiola somente para torneios e outra para a manutenção do pássaro no criatório. Um apresentador de cães do nosso canil colocava nas guias dos cães que iam às exposições uma fitinha vermelha do Senhor do Bonfim; foi bom porque nenhum cão voltou contaminado das expos. Cuidado porque cavalo não desce escadas, como dizia o famoso colunista social carioca.

-Levar água filtrada e/ou fervida quando for a torneios, evitando dar ao pássaro água da torneira sem as condições higiênicas seguidas no criatório. Se esquecer, é preferível dar água de garrafa tipo natural. Nem para o banho deve ser usada água do local dos torneios.
-Cuidado com a água do banho dos pássaros. Deve ser, pelo menos, filtrada e, sempre que possível, fervida. Tirar a vasilha logo que o pássaro terminar o banho.

-Algumas vezes os parasitas podem ser trazidos para o criatório pelas patas de pássaros, como os pardais, ou das moscas. Telar as janelas, portas e as aberturas para a ventilação é medida heróica. Não deixar lixo ou restos de comida expostos é essencial porque eles atraem pássaros, moscas e predadores, inclusive ratos. Muitas plantas também são atrativos.

-E sol, amigos, pois, onde entra o sol não entra o médico, ou o veterinário, como dizia minha avó. Locais escuros, muito quentes e úmidos jogam para os bandidos.
As medidas profiláticas são econômicas e, tornadas rotinas, de fácil execução. Servem também para evitar muitas outras doenças que infernizam os criadores, como as determinadas por outras bactérias intestinais (Salmonella, Yersinia e Campylobacter) e pelos protozoários intestinais.

RUA JOAQUIM DO PRADO, 49. TEL. 0XX125440201. FAX. 0XX125443590.
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Escrito por José Carlos Pereira, em 2/9/2003.


COLUMBOFILA - BOLETIM INFORMATIVO

Analogia com os pássaros

A partir da idéia do nosso Diretor Ivan de Sousa Neto, de trazer esse belo texto para o conhecimento dos ornitofilista - colocamos o artigo neste site,por achá-lo muito interessante e análogo aos nossos pássarios, em especial, quando participam de torneios e assim, no retorno analisar os efeitos que poderiam ocorrer no caso da utilização para a reprodução.

FEDERAÇÃO COLUMBÓFILA BRASILEIRA
BOLETIM INFORMATIVO N° 09
COLABORADORES: MARCIO MATTOS - MAURÍLIO OLIVEIRA

Gordon A Chalmers – Doutor em Medicina Veterinária.

Gordon é o cientista dentre os veterinários de pombos. Seus artigos abrangem um vasto terreno no esporte e são muito lidos em todos os países do mundo. A Editora “Winning” (Vencedora) tem orgulho de ter um autor tão famoso e um homem tão notável na sua equipe de autores!Se você tiver um problema de saúde com suas aves, os artigos de Gordon o ajudarão.

GORDON CHALMERS – DVM (Doutor em Medicina Veterinária) RESPONDE PERGUNTAS FORMULADAS POR MIKE LYCETT

P. Eu tenho lido sobre “miosite”. O que você pode me dizer sobre isso?

R. Falando precisamente, a definição de “miosite” é “inflamação de músculo. No contexto da pergunta, eu compreendo que na mente dos criadores, “miosite” diz respeito a “carne azul” (cianose), cujas causas parecem ser diversas. Em certa época, a “carne azul” era comumente associada a dietas alimentares ricas em proteína após uma corrida – daí a prática européia de utilizar dietas leves após uma corrida para evitar a “carne azul”. No meu modo de ver, a “carne azul” está associada fundamentalmente com distúrbio de circulação sangüínea por qualquer motivo que seja. Freqüentemente, a “carne azul” é percebida em uma ave após uma corrida árdua, para mim refletindo algum nível de desidratação e circulação debilitada. Uma visão geral dessa condição é apresentada no livro “A Saúde e Manejo de Pombos de Vôo dos Veterinários”, escrito pelo famoso veterinário australiano Colin Walker. Ele acha que está relacionada a uma das três condições:

1) Quando as aves têm dificuldade de oxigenar o sangue, ou respirar.

Quando o nível de oxigênio no sangue está baixo, sua cor é escura (azulada) e, ao circular através do músculo, o próprio músculo adquire uma coloração azulada. As causas podem incluir infecção respiratória, na qual o sangue não é oxigenado adequadamente, ou qualquer condição que interfira com a respiração, tal como um tumor sólido na cavidade do corpo, ou obesidade.

2) Aves saudáveis são exercitadas além de sua capacidade física.

Essas aves desenvolvem miosite ou cãibra. Em um músculo saudável em atividade, as reservas de energia são gastas durante os exercícios e subprodutos desse processo são removidos através da circulação sangüínea no músculo. Se uma ave for exercitada além do limite de sua capacidade física, a circulação não poderá suportar a quantidade desses subprodutos. Como resultado, eles se acumulam no músculo e causam danos. O músculo afetado fica azul e, em casos mais graves, ele inchará e ficará dolorido.

3) Práticas deficientes de saúde e manejo, que inibem o desenvolvimento da capacidade física.

Do ponto de vista da moléstia, cancro úmido e infecção respiratória impedirão que as aves suportem até mesmo exercício moderado. No manejo, é importante associar os componentes dietéticos tais como gorduras e proteínas com as necessidades de energia das aves e a quantidade de tempo que estão em vôo. Criadouros lotados ou excessivamente úmidos também podem ser uma causa.

P. Qual é a diferença entre os ovos de Verme Peludo (Capillaria obsignata) e os de Tênia (Hymenolepis columbae e Raillietina columbae)?

R. Os Vermes Peludos, que são formalmente conhecidos como Capillaria obsignata, liberam ovos no formato de limões ovais. Caracteristicamente, esses ovos também possuem uma cavidade, semelhante a uma rolha, em cada extremidade. Esses ovos necessitam de um período de incubação em um ambiente úmido e arejado para o desenvolvimento de um jovem verme peludo. Quando as aves ingerem esses ovos ao bicar o solo, o jovem verme choca no intestino, torna-se adulto e o ciclo continua. As Tênias liberam seus ovos através dos segmentos finais de seus corpos. Esses segmentos separam-se do corpo principal da Tênia e então são liberados com as fezes onde podem ser vistos como pequenos segmentos sinuosos. Com freqüência, insetos comem os segmentos junto com os ovos que se desenvolvem nesses mesmos insetos. Os insetos são então comidos pelo pombo e o ciclo vital continua.

P. Porque algumas aves desenvolvem tumores?

R. Um motivo é que os tumores, sejam benignos ou malignos, podem se desenvolver em indivíduos de muitos espécimes, incluindo os pombos, a medida que envelhecem. Quando isso ocorre, uma vez que o indivíduo geralmente já passou de sua plenitude reprodutiva, o sistema imunológico se torna menos vigilante e incapaz de destruir células cancerosas quando aparecem em qualquer parte do corpo. Essas células cancerosas se reproduzem e, no caso de massas malignas, podem invadir tecidos adjacentes ou permanecer como uma massa sólida em determinado local. Tumores podem se originar, bem como afetar, de qualquer tecido do corpo.

P. O que você diagnosticaria se uma ave apresentasse fungos nas fezes?

R. Fungos de vários tipos são comuns no ambiente que nos cerca. Esporos de fungos flutuam nas correntes de ar no criadouro e pousam em diferentes superfícies, incluindo fezes recentes, como as de filhotes num ninho. A presença de fungos se desenvolvendo nas fezes indica um nível ideal de umidade e calor para o desenvolvimento e crescimento do tipo aéreo de fungo. Eu diria que quando isso ocorre, a umidade está razoavelmente elevada no criadouro, e talvez a ventilação e circulação de ar para permitir o ressecamento das fezes não sejam as melhores. Entretanto, às vezes o ambiente no próprio ninho proporciona níveis mais elevados de retenção de umidade naquela área, mesmo que o restante do criadouro pareça razoavelmente seco. Esse aspecto tem me preocupado há algum tempo. Nós nos esforçamos ao máximo para assegurar que os criadouros estejam secos, bem ventilados e aquecidos pelo desenvolvimento da espécie, mesmo assim, no caso de aves viúvas, por exemplo, parece que negligenciamos o micro ambiente da ninheira, na qual os machos viúvos passam a maior parte do dia. Às vezes eu acredito que essa pequena “casa” particular é insuficientemente ventilada, muito fechada e abafada, e por isso eu imagino se todos nós precisamos prestar mais atenção no tamanho, estrutura e ventilação das ninheiras nas quais guardamos nossas aves pelo maior tempo de suas carreiras de competição. É só uma idéia.

P. O adenovírus (Doença das Aves Jovens) é corriqueiro lá no Canadá e nos Estados Unidos?

R. Eu não sei se essa infecção é “corriqueira” em todo o continente, mas certamente é em algumas áreas, especialmente nos recantos de corrida de pombos – no Leste do Canadá e no Nordeste dos Estados Unidos – onde tem interferido seriamente nas corridas de aves jovens. Todo o estresse enfrentado por uma ave jovem durante os treinos e as corridas parece afetar negativamente o desenvolvimento do sistema imunológico e permitir a proliferação tanto do componente adenoviral quando do seu companheiro, o organismo E. Coli, com conseqüente propagação para aves suscetíveis no criadouro ou no caminhão de transporte.

P. Porque algumas aves apresentam cálamos sangüíneos (penas de sangue)?

R. Cálamos sangüíneos fazem parte do desenvolvimento normal de uma nova pena, portanto, ao meu ver, todas as aves as têm em um determinado ponto do crescimento e no ciclo de desenvolvimento da pena – examine uma ave com as penas recentemente em regeneração. Em excesso, cálamos sangüíneos indicam um problema associado ao estresse, tal como uma doença infecciosa. De acordo com David Marx, um proeminente veterinário de pombos nos Estados Unidos, cálamos sangüíneos podem ser vistos como uma manifestação de infecção eruptiva. Em outras situações, cálamos sangüíneos têm sido vistos como uma infecção circoviral. Sua presença acentuada parece evidenciar um problema essencial, como os acima mencionados, além de outros.

P. Qual a sua opinião sobre Baytril?

R. Eu acho que Baytril é um excelente produto que, se usado corretamente, pode ser benéfico aos criadores que têm que lidar com certas infecções. Baytril, também chamado enrofloxacina, é um produto antibacteriano sintético (que dizer, não natural) que possui uma ação contra uma variada gama de agentes bacterianos que afetam seres vivos. Esse produto é rapidamente absorvido pelo organismo e penetra bem em todos os tecidos do corpo. Pode até ser que seja o melhor produto que temos para infecções causadas por organismos tifóides e E. Coli, dentre outras também incluídas nessa categoria de bactérias conhecidas como organismos Gram-negativos. Baytril possui uma grande capacidade de prevenir a repetição de surtos de bactérias tifóides quando é utilizado na medida de 6 miligramas por libra (453,59 gramas) durante dez dias – a qual supomos suficiente para que o estado de hospedeiro tenha sido eliminado dessas aves. (Lembre-se que a maioria dos seres infectados com organismos tifóides são relativamente capazes de eliminar essas bactérias de seus organismos). O problema é que o indivíduo por si só não consegue isso, e o resultado é o estado de hospedeiro. Lembrem-se do caso clássico da “Maria Tifóide”, a ajudante de cozinha que espalhou infecção tifóide para muitas pessoas para as quais trabalhou em diversas oportunidades, através da comida que ela manuseava diariamente. Quando tal hospedeiro está estressado, os organismos tifóides instalados no organismo começam a se multiplicar e se espalhar através das fezes, nas quais outras aves podem ser contaminadas e subseqüentemente infectadas. Baytril parece ser capaz de eliminar esse estado de hospedeiro.

P. Alguma coisa pode ser feita para ajudar um(a) macho/fêmea a reproduzir novamente?

R. A pergunta é simples, mas a resposta não. Não é realmente possível afirmar ou negar categoricamente, sem uma investigação das circunstâncias. Se uma ave é velha, isso poderia significar uma cessação senil normal da capacidade de reprodução. Ainda, problemas de artrite afetando as juntas das pernas em aves mais velhas podem contribuir para uma infertilidade funcional em aves afetadas. Em outras situações, tumores no ovário ou testículos poderiam ser a causa. Em outras circunstâncias, a causa pode muito bem ser infecção crônica do ovário ou testículos por organismos bacterianos, tais como E. Coli ou o agente tifóide, etc. Se a ave é velha, pode ser que nada possa reverter a situação. Em outros casos, deixar um casal de aves idosas juntas durante o período invernoso pode ajudar a melhorar a fertilidade na próxima primavera. Também, a chegada do clima mais quente e mais horas de exposição à luz solar pode muito bem ser um benefício aos reprodutores mais velhos. Às vezes, com reprodutores mais velhos, Hormônio Folicular Estimulante (Follicle Stimulating Hormone - FSH) pode ser útil, mediante a aplicação de 1/10 centímetros cúbicos, dia sim dia não, por três tratamentos, repetidos em três semanas, se necessário. Os casais devem ser mantidos juntos durante esse tempo. Eu também li que o uso de creatina (utilizada por malhadores e levantadores de peso, etc.) pode ajudar alguns machos mais velhos a recuperar a fertilidade, mas pessoalmente não tenho nenhuma experiência com o produto. Finalmente, infecções do ovário e testículos, geralmente por organismos tifóides ou E. Coli, podem ser resolvidos mediante tratamento vigoroso com Baytril (150 a 600 mg por 4 litros de água). A dose mais baixa deve ser usada no clima quente, quando as aves bebem mais, e a dose mais elevada em clima mais frio, (quando as aves bebem menos) por 7 – 14 dias ou mais, pode ajudar. Nessa situação, um amigo utilizou Baytril em um nível de tratamento durante 28–30 dias para tentar reverter a infertilidade de reprodutores que tinham estado inférteis por um ano ou dois, e várias aves recuperaram totalmente a fertilidade, descobertas que indicavam a probabilidade de infecção do ovário ou testículos, ou ambas, nessas aves.

P. O que é cancro úmido?

R. Vamos iniciar com o cancro seco (tricomoniose, nota do tradutor), que é o tipo que todos vemos uma vez ou outra – a massa amarelada na garganta de uma ave jovem. Por contraste, diz-se que o cancro úmido está associado com o aparecimento de uma garganta vermelha irritada, acompanhada por excessivo muco sujo, mas sem massa amarelada. Eu me referi a essa condição na resposta à Pergunta 10.

P. Você dá alguma atenção à garganta das aves quando tenta avaliar a forma física na temporada de competição?

R. Sim, Deve haver uma certa quantidade de muco normal na área da garganta, como deve haver em nossa própria boca e garganta, para lubrificação. Somente a prática de examinar gargantas pode levá-lo a julgar o que é normal e o que é excessivo. Normalmente, a superfície da boca e da garganta deve possuir um bom e saudável tom de rosa, com uma pequena quantidade de muco que pode normalmente conter algumas bolhas de ar. Umas superfícies vermelhas irritadas aliadas a um muco excessivamente pegajoso e sujo indicam um problema. Por exemplo: às vezes, quando a temporada de corridas passa, o nível de estresse nas aves está suficientemente elevado para que o sistema imunológico se torne menos capaz de lidar com o ataque violento de organismos que o bombardeia toda hora e todo dia, e alguns deles, como o organismo do cancro, começam a multiplicar-se e causar problemas. As aves podem parecer bem, mas seu desempenho pode começar a cair. Quando os organismos do cancro se multiplicam na região da garganta, sua presença aos muitos milhares pode irritar a superfície, tornando-a áspera, irritada e vermelha. Também, para lidar com a irritação, as glândulas na região começam a excretar muco extra para suavizar a superfície. Uma vez que as bactérias na região também podem se aproveitar da superfície áspera, elas igualmente podem começar a se multiplicar e o muco pode se tornar viscoso e sujo devido à dupla investida. Amostras do muco examinadas através do microscópio podem revelar uma quantidade abundante de organismos de cancro alvoroçados. É por esse motivo que alguns veterinários recomendam o tratamento contra o cancro por um ou dois dias a cada 2 – 3 semanas durante toda a temporada. A maioria de nós sabe que um regime de tratamento completo contra o organismo do cancro faz todo sentido a qualquer tempo. Entretanto, durante a temporada de corrida um tratamento completo de 5 – 7 dias, digamos com Emytril, poderia deixar as aves completamente fora de forma. Por esse motivo, como o menor de dois males, um período de tratamento de 1- 2 dias no máximo é sugerido. Provavelmente, a melhor oportunidade para tratar é imediatamente após a corrida do fim de semana, digamos Domingo e Segunda, ou Segunda e Terça. Use a dosagem correta, por exemplo, uma colher de chá rasa por galão (4,55 litros) de água. Minha idéia é utilizar os métodos Australianos, que é excelente em minha opinião, porque proporciona a dose terapêutica correta e também evita problemas com a toxidade do medicamento. Eis o que você deve fazer se decidir continuar com tal programa:

Na alimentação noturna, misture a dose correta nos bebedouros e deixe a água tratada diante das aves por duas horas aproximadamente. Então remova a água tratada e substitua por água fresca e não tratada até a noite seguinte. Repita o processo por duas horas aproximadamente nessa noite e então utilize água fresca após isso para equilibrar a semana. (Você pode utilizar o mesmo método durante tratamentos pré-procriatórios contra cancro ou quando tratar aves jovens recém separadas durante os 5 – 7 dias padrão. Esse método é especialmente eficaz durante o clima quente, quando as aves bebem mais água, e poderiam se envenenar se bebessem muita água tratada com Emytril).

Às vezes, doença respiratória é uma causa de ruborização e muco excessivo na garganta, portanto esteja atento para aquela condição também (olhos inchados, corrimento nos olhos, narinas, espirros) [entalhe], e, se necessário, trate de forma adequada. O melhor tratamento é uma combinação de um antibiótico de tetraciclina, tais como Terramicina, Aureomicina e Doxociclina, adicionado de tilosina ou mesmo Suavanil, em dose máxima de cada durante 7 – 10 dias.

P. Quais os tipos diferentes de Salmonella existentes?

R. Tipos da espécie Salmonela de bactérias variam de centenas a milhares, e afetam muitas espécies de aves e animais, inclusive seres humanos. Infecções por Salmonela também podem ser descritas como infecções tifóides. Em pombos, a espécie de Salmonela mais comum é a Salmonela Typhimurium da variedade Copenhague, e de certa forma parece quase peculiar ao pombo. Eu digo “quase” porque a variedade Copenhague já foi ocasionalmente reportada em frangos. Se há alguma boa notícia (ou mais corretamente, uma notícia menos ruim) sobre a variedade Copenhague é que, primeiramente, ela está geralmente restrita a pombos, em segundo lugar, ela não tende a se propagar para seres humanos, como outros tipos de Salmonela fazem, e em terceiro lugar, a não ser quando antibióticos hajam sido mal dosados e a resistência pelo organismo tenha se desenvolvido, ela é geralmente sensível a uma variedade mais ampla de antibióticos que qualquer outra espécie de Salmonela. A fonte mais comum de organismos de Salmonela são aves infectadas recém chegadas, motivo pelo qual nova aquisições devem ser isoladas e os desgarrados (pombos selvagens e competidores desgarrados) não devem ser admitidos no criadouro.

De maneira ideal, essas aves, juntamente com seus próprios pombos extremamente retardatários, devem ser isoladas. Infecções por Salmonela em pombos podem se manifestar em inúmeras formas. Geralmente, em machos, há morte súbita, sem qualquer aviso prévio de que algo esteja errado. Geralmente essa infecção é mais crônica em fêmeas, e pode ser caracterizada por “furúnculos na asa” (infecções nas articulações), “emagrecimento”, severa perda de peso, e fezes viscosas. Diarréia é comum, geralmente com bastante muco e bolhas de gás. (Infecção por Paramixovírus (PMV) também pode resultar em fezes muito líquidas, mas na infecção por PMV há muito líquido que na realidade é urina, vinda dos rins danificados pelo vírus. Na infecção por PMV, há caracteristicamente uma grande porção de líquido no centro da qual há uma “serpentina” de fezes normais vindas do intestino. Na infecção tifóide, as fezes estão misturadas juntamente com qualquer líquido produzido. Ocasionalmente, o organismo tifóide pode infectar o cérebro e resultar em uma cabeça inclinada ou um pescoço retorcido. Outros sinais que podem ocorrer são ovos “podres” que caracteristicamente se apresentam negros, indicando que o ovo era fértil, mas posteriormente a infecção matou o embrião. (Ovos claros indicam que desde o início eles não eram férteis). Um outro sinal clássico é filhotes fracos ou mortos na casca do ovo. Os filhotes podem começar a bicar a casca, mas morrem antes de chocar. Um único filhote morto na casca não deve ser causa de inquietação, mas se mais alguns morrerem esse fato deve levantar suspeitas. Filhotes que começam a morrer entre 7 – 10 dias de idade, especialmente se apresentaram diarréia e pareciam desidratados com a pele escura avermelhada, devem causar preocupação em termos de infecção tifóide.

Muitos surtos ocorrem entre reprodutores, geralmente no final da temporada quando as aves ficam progressivamente estressadas com as crias, e quando o sistema imunológico está debilitado.

P. Se a ponta da língua de uma ave está azulada/negra significa um problema?

R. Não necessariamente, na realidade o Dr. David Marx, um notável veterinário de pombos nos Estados Unidos, considera como sendo uma variação normal na maioria das aves. Entretanto, se as membranas mucosas da boca e da garganta também estiverem azul escuro, esse achado pode muito bem indicar distúrbios circulatórios associados a um coração debilitado, ou doença respiratória que esteja interferindo na oxigenação adequada do sangue. Uma ave assim afetada pode muito bem apresentar severas dificuldades de respiração, muco excessivo nas narinas (catarro), estertor na traquéia (traquéia-artéria), etc.

P. As aves normalmente apresentam muco em suas gargantas?

R. Na realidade, sim. Algum muco claro é normal. Veja também minha resposta para a pergunta 10.

P. Quais são os benefícios do ginseng?

R. Eu não sei, uma vez que não uso produtos como esse. Eu acredito no princípio denominado “KISS” – Keep It Simple Sam (simplifique as coisas), e como um dinossauro em alguns aspectos, eu não gosto da idéia de ervas, etc., cujos efeitos eu desconheço. Entretanto, em minhas leituras eu descobri a seguinte informação que definitivamente não me inspira a utilizá-lo em mim ou em minhas aves: o ginseng é derivado da raiz de uma planta cujo nome científico é Panax Ginseng. Ele foi utilizado na China durante séculos como um estimulante para idosos e indivíduos debilitados. Ele é disponível na forma de raiz seca, chá, elixir, cápsulas, pastilhas e como uma linha de cosméticos. O ginseng contém vários componentes, inclusive peptídeos, esteróides e muitas substâncias não identificadas que parecem ser responsáveis por seu efeito estimulante.
Aparentemente, duas a três gramas são necessárias para proporcionar estímulo comportamental. Entretanto, a Síndrome de Abuso de Ginseng tem sido associada a essa erva em seres humanos. Em doses baixas, pressão alta, insônia, nervosismo, confusão mental e depressão, etc., foram encontradas em algumas pessoas. Os estrógenos (hormônios sexuais femininos) no ginseng também têm causado efeitos prejudiciais.

P. e R. Mike, meu camarada, você ESTÁ determinado a me colocar em apuros com o editor, não está?? Ha Ha!

P. Quais são os benefícios de ministrar alho na água e acrescentar suco de limão e levedura de cerveja na alimentação?

R. Alho parece ser um aditivo útil na água. O principal componente associado ao alho é a alicina. Ela é ativada logo que os dentes de alho são esmagados. A alicina é conhecida por possuir propriedades antibacterianas e diz-se que é eficaz mesmo em concentrações baixas como uma parte de alicina em 125,000 partes de água. Quando comparada à penicilina, diz-se que a alicina possui uma ação de cerca de 1% da ação da penicilina.

O alho inibe o crescimento, ou destrói, cerca de uma dúzia de tipos de bactérias (inclusive Estafilococos e Salmonela spp.), e pelo menos 60 tipos de fungos e leveduras. A alicina parece ser o principal elemento químico responsável por esse efeito.

Os microminerais selênio e germânio são dois componentes do alho japonês, e esses minerais podem surtir algum efeito por sua ação, primeiramente como antioxidantes, isto é, substâncias que protegem células e tecidos dos efeitos nocivos dos peróxidos no organismo. Em segundo lugar, eles são importantes para o desenvolvimento normal do sistema imunológico e, em terceiro lugar, eles podem possuir uma boa ação como agentes anticancerígenos.

O selênio tem demonstrado possuir um largo espectro de ação anticancerígena em ratos, por exemplo. Há indícios que os componentes químicos do alho podem ajudar auxiliar o organismo na desintoxicação, neutralizar ou eliminar substâncias nocivas.

Em pombos, o uso de alho após uma corrida pode auxiliar nas chamadas dietas “depurativas” – seja lá o que isso signifique – para restabelecer a condição normal de competição da ave. É possível que o uso de dentes de alho esmagados na água de beber nesse momento acrescente algum benefício extra ao permitir que o fígado e outros órgãos metabolizem substâncias, e ajudem a restabelecer as condições normais de competição das aves.

Evidências atuais de experiências de laboratório em seres humanos e animais, e a experiência empírica de muitos criadores, sugerem que, quando utilizado com critério, dentes de alho esmagados na água de beber podem ser um produto útil no criadouro durante todo o ano, mas especialmente nas temporadas de treino e competição.

Atualmente, óleos, pós e pílulas à base de alho parecem ser bem menos úteis. Possivelmente o desenvolvimento de novas técnicas de extração dos princípios ativos do alho possa superar os problemas presentes associados aos métodos atuais. Até que esses problemas sejam resolvidos, dentes frescos de alho comprados na mercearia ainda são a melhor fonte das propriedades medicinais do alho. Um detalhe importante – quando preparar soluções contendo dentes de alho amassados NÃO as aqueça. Aquecê-las a uma temperatura superior a 61,1 °C primeiramente tornará inativa a alicina e aniquilará completamente os motivos para utilizar a solução.

Suco de limão é uma boa fonte de vitamina C, também chamada ácido ascórbico. Desde que o suco de limão é ácido, ele pode ser útil para criar condições semelhantes nos intestinos, como um benefício para controlar inúmeros organismos bacterianos hostis.

Levedura de cerveja é um outro preferido dos criadores. Seu nome é derivado do processo de fermentação da cerveja do qual é um subproduto. A levedura produzida pela indústria cervejeira tende a ser amarga e difícil de consumir em quantidades significativas. Hoje, entretanto, a maioria das leveduras comercializadas não provém de cervejarias, mas são cultivadas para a exclusiva finalidade de suplementos alimentares. Essas leveduras podem ser intituladas como “nutricionais” ou “primárias”.

Ao contrário do fermento de panificação, a levedura nutricional é considerada um produto “morto” (inativo), e não funcionará no processo de fermentação. O conteúdo vitamínico e protéico da levedura nutricional dependerá do ambiente em que for cultivada. Leveduras alimentares são uma fonte rica de nutrientes e podem conter até 50% de proteína. Elas são uma excelente fonte de vitaminas B, exceto vitamina B12, que agora é acrescentada em algumas marcas para consumo humano.

Leveduras são uma boa fonte de minerais, especialmente selênio, cromo, ferro e potássio. Fósforo também é abundante na levedura; para manter um equilíbrio favorável entre cálcio e fósforo, alguns produtores adicionam cálcio aos seus produtos. Levedura é uma boa fonte de ácidos nucléicos, inclusive ácido ribonucléico. Possui baixos teores de gordura, carboidratos, sódio e calorias.

P. Pode-se dar muito dessas coisas aos pombos?

É difícil generalizar sobre esse ponto, mas é razoável presumir que, algumas vezes, esses produtos podem não ser tão bons quanto se espera, motivo pelo qual eu aconselho moderação. Vitaminas A e C em excesso pode ser nocivo, por isso eu relutaria em utilizar óleo de fígado de bacalhau com muita freqüência. Na realidade, eu prefiro mais e uso exclusivamente uma mistura multivitamínica que pode ser dada através da água de beber, digamos uma vez por semana, durante o ano todo. No que diz respeito ao micromineral selênio, há uma linha muito tênue entre deficiência de um lado e toxicidade do outro. Nunca dê porções extras de selênio. Eu teria muito cuidado com o uso de sulfato de cobre (vitríolo azul) para controlar coccidiose. Esse produto atua como um adstringente no intestino, e tende a reter as fezes, mas não faz muito, se é que faz algo, para controlar a coccidiose. Em excesso pode ser definitivamente tóxico. Mais uma vez eu advirto – tudo com moderação e nada de dano!

P. Há algo a se ganhar com a ministração de tônicos herbáceos?

R. Eu realmente não sei a resposta, uma vez que não utilizo esses produtos em mim ou em minhas aves e não os pesquisei detalhadamente. Eu suponho que a resposta depende do tipo de suplemento herbáceo utilizado. Elderberry tem sido elogiado recentemente como um tratamento para infecções viróticas em pombos. Dizem que Ecchinaceae ajuda o sistema imunológico. Além desse ponto, sei pouco sobre tônicos herbáceos, apesar de estar ciente que, a exemplo dos chás, muitos criadores os utilizam em suas aves.

Esse questionamento me veio quando eu tinha acabado de assistir a um documentário na TV sobre a selva Amazônica, e eu meditei sobre minha resposta à luz da informação daquele documentário. Parece que grande parte da vegetação, inclusive sementes e frutas comidas por muitas criaturas da selva, é altamente tóxica. Para lidar com esse problema, muitas criaturas, de macacos a aves, regularmente visitam certos depósitos de barro e consomem bastante argila, para absorver ou neutralizar essas toxinas. Eu não estou sugerindo que os chás contêm elementos tóxicos, mas com esse detalhe do documentário em mente, eu me perguntei: Qual é a composição desses chás e tônicos utilizados em pombos? Que plantas, inofensivas ou não, compõem esses produtos, e em que quantidades? Há algum controle de qualidade ou padrões oficiais que sejam aplicados em sua preparação? Eu presumo que no Reino Unido, assim como na América do Norte, haja exigências na rotulagem de produtos para definir os componentes de tais produtos, dentre outras, mas talvez não haja essa exigência em outros países. Alguns produtos europeus que eu vi pareciam não possuir exigências específicas de rotulagem, portanto eu sou averso a utilizá-los porque eu não sei o que contêm. Ingredientes misteriosos não me impressionam. Eu simplesmente questiono, uma vez que definitivamente não sei as respostas.

P. O vinagre é benéfico para as aves?

R. Acredito que possa ser útil. Eu sugiro que ele poderia ser um daqueles produtos que seriam úteis na água de beber (juntamente com soro de leite e as bactérias benéficas do iogurte ou probióticos disponíveis comercialmente) para acidificar o conteúdo intestinal, dessa forma criando um ambiente hostil para bactérias perigosas tais como o agente tifóide e grupos geradores de doenças de E. Coli, dentre outras. Esses organismos preferem mais um ambiente alcalino no qual podem se multiplicar prontamente. Um ambiente ácido nos intestinos pode reduzir suas ocorrências em 90% ou mais.

P. Alguns acreditam em criar os filhotes com aveia e melaço (não 100 por cento, é claro). Há algum benefício nisso?

R. Melaço possui um alto teor de carboidratos, é claro, (uma variação de 62 – 78%, dependendo da fonte), e possui um teor muito elevado de potássio (3,67 – 4,77%). O acréscimo de uma pequena quantidade de melaço na água de beber no período de reprodução e nas corridas pode ser benéfico – novamente, tudo com moderação.

A elevada quantidade de potássio no melaço me preocuparia um pouco, portanto eu utilizaria apenas uma pequena quantidade de vez em quando. A quantidade de carboidrato no melaço poderia ser útil na preparação das aves para corridas, uma vez que seria convertido em gordura, o combustível mestre para corridas. Esses carboidratos poderiam ser também um bom estimulante para as aves após retornarem da corrida. Glucose faria o mesmo efeito, portanto não estou certo que haja uma vantagem extra em utilizar melaço. Aveia pilada e farinha de aveia possuem cerca de 16% de proteína, 5,5 – 6% de gordura, e cerca de 64% de carboidrato, e seriam aditivos ideais na alimentação para reprodução, corrida e muda, em minha opinião. Para a criação, um nível de proteína total de 18%, para o qual a aveia pilada/farinha de aveia poderiam fazer uma contribuição útil, parece desejável.

P. Qual o efeito do cloro nas substâncias adicionadas aos bebedouros?

R. O cloro é um forte agente oxidante e, de acordo com o Dr. David Marx, um renomado veterinário de pombos nos Estado Unidos, ele pode se ligar a matérias orgânicas, inclusive medicamentos, e torná-los venenosos. Entretanto, por contraste, a quantidade de cloro nos reservatórios de água municipais é tão pequeno que seu efeito em substâncias acrescentadas à água é considerado insignificante. Por outro lado, criadores às vezes acrescentam cloro na forma de hipoclorito de sódio (alvejante caseiro) nos bebedouros como um desinfetante, ou para ajudar a controlar um problema de doença reincidente. Nessa circunstância, se o medicamento for também acrescentado aos bebedouros ao mesmo tempo, o nível elevado de cloro na água pode causar alterações nos medicamentos e torná-los venenosos. No mínimo, o cloro extra torna inócua a medicação.

P. Qual a importância da composição do solo/geografia/processo de secagem para a qualidade dos cereais?

R. Eu acredito que esses fatores possuem um papel importante e óbvio na qualidade do produto final, por exemplo, os cereais que compramos para nossas aves. Alguns solos em diferentes áreas geográficas podem ter um efeito significativo nos cereais cultivados aqui. Deficiências de uma variedade de minerais podem ocorrer em cereais cultivados que sejam deficientes nesses minerais. Por exemplo, plantas cultivadas em terras de pastagem e plantações já colhidas que estejam a favor do vento em relação a centros comerciais produtores de enxofre podem se tornar deficientes no micromineral selênio. O enxofre que flutua para a pastagem trazido pelo vento, propicia um considerável estímulo para o crescimento das plantas, consequentemente reduzindo o nível de selênio absorvido do solo pelas plantas, e causando uma deficiência de selênio. Devido à importância dos solos e suas composições minerais para os cereais neles cultivados, eu acredito que seja útil de vez em quando, se possível, conveniente e economicamente viável, adquirir cereais de áreas geográficas diferentes do país (ou do mundo). A idéia é que, se os cereais de uma área são deficientes em certos minerais, grãos de outras áreas podem ser capazes de suprir algumas ou todas essas deficiências.

Um outro caminho é obter uma mistura multi-mineral diversificada preparada para a criação, preferencialmente uma que contenha sal para encorajar as aves a comê-la, e deixá-la diante das aves o ano todo.

P. Qual o mais nutritivo – o grão recém colhido ou o da safra mais antiga?

R. A finalidade da semente dura de qualquer safra é proteger os conteúdos daquela semente até a época da germinação. Se a superfície da semente ou grão se mantém intacta, os conteúdos estão geralmente seguros de mudanças significativas. De acordo com um amigo que é nutricionista avícola, a única alteração significativa que pode ser encontrada é uma possível redução do conteúdo vitamínico pelo tempo, mas mesmo assim uma semente ou grão intactos podem manter a maioria dos nutrientes significativos por um considerável intervalo de tempo. Certa vez nos disseram que grãos recém colhidos precisavam de um certo período de tempo para “adocicar”, após o qual estaria adequado ao consumo. Parece que no momento há dúvida sobre isso. Assim, em teoria, grãos recém colhidos deveriam possuir o máximo de conteúdo de nutrientes ideais, comparado aos grãos de colheitas anteriores, especialmente se o conteúdo vitamínico for utilizado como critério de conveniência. Na prática, parece que qualquer um é tão adequado nutricionalmente quanto o outro.

P. Uma mudança radical na dieta é capaz de causar distúrbios em uma ave?

R. Sim, por minha experiência, isso é possível. Como exemplo, eu recordo a preparação de aves jovens para uma corrida de 270 milhas, e eu pensei que poderia elevar suas reservas de gordura utilizando milho extra. O problema foi que eu não vinha alimentando as aves com muito milho até então, e quando lhes forneci quantidades extras (parece que demais) nos últimos dois ou no último dia, eu simplesmente lhes dei uma indigestão e as tirei completamente de forma. Elas se sentaram numa posição curvada, claramente desconfortáveis e irritadas, então eu não pude embarcá-las.

Na manhã da corrida elas estavam bem (é claro!). Se as tivesse alimentando com mais milho até então, digamos 30 – 40% da ração (minha prática habitual), e então acrescentado a elevada porção extra de milho nos últimos dois dias, esse problema provavelmente não teria ocorrido. A principal alteração foi a súbita utilização de grandes quantidades de grão que elas não estavam completamente acostumadas a assimilar, e eu paguei o preço por meu erro. Tendo dito o que se passou, entretanto, eu reconheço o fato que nossas aves são muito adaptáveis, e em um ambiente natural, elas consumiriam quaisquer grãos ou sementes que estivessem disponíveis, em qualquer época do ano, sem efeitos danosos.

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Escrito por Aloísio Pacini Tostes, em 1/10/2004

 


CORIZA

Causas: Hemophilus gallinarum (forma aguda). Corpusculo cocobaciliforme ( forma lenta). As duas vêm associadas. Bruscas mudanças climáticas, aves em locais úmidos, aves mal alimentadas, falta de vitamina C.

Sintomas: Secreção aquosa nos olhos e narinas.Com a evolução da doença, as narinas ficam completamente obstruídas. Os olhos, em virtude da infecção, ficam inflamados e a ave pode perder a visão.


Tratamento: Limpar as narinas com cotonete impregnado em solução de permanganato de potássio, com 1./1.000. Aviarium ou Terramicina na água de beber, vitaminas.

 


DIARRÉIAS

Causas: Má alimentação, alimentos azedos, deteriorados e água suja.

Sintomas: Fezes líquidas de cor amarela-esverdeada, falta de apetite e emagrecimento, ânus inflamado.

Tratamento: Corte as penas do traseiro com cuidado e lave a região com água morna, após enxugue. Administrar Neo Sulmetina SM.

Sulfas causam ausência de produção de espermatozóides nos machos durante 30a40 dias, a chamada azoospermia. Nenhum ovo será galado nestas condições. Não use Sulfas para reprodutores próximo à fase de reprodução.

Prevenção: Dieta equilibrada e qualidade nos alimentos.

 


DIFICULDADE NA POSTURA

Artigo do Dr Gilson Barbosa, conhecido articulista de ornitofilia e criador de curiós de canto clássico, que aborda o assunto com especial propriedade.

"CÓPULA E PROSTRAÇÃO

De alguma forma todos os  criadores  de Curiós um dia enfrentarão problemas relacionados à postura de ovos por parte de suas matrizes. Em última estância, enfrentarão situações de dúvida em relação à cronologia que envolve o período que vai desde a cópula até a postura. Via de regra este período varia provocando incertezas quanto ao momento da postura, quando devemos interferir e como fazer esta interferência. O criador de Curiós precisa a princípio adquirir conhecimentos mínimos do que está acontecendo no  interior do sistema reprodutor enquanto observa externamente o comportamento e sintomas apresentados pela fêmea. O relacionamento entre o observado externamente (sintomas) com o interno oculto é fundamental para uma tomada de posição frente a uma retenção de ovo por parte da fêmea.

Antes de descrever o método pelo qual o criador fará a intervenção, julgo indispensável à obtenção de um diagnóstico do problema com extrema precisão, para tanto, o criador em espacial os principiantes, precisam adquirir os conhecimentos necessários à produção do “Diagnóstico  Diferencial” e comparativo com situações de normalidade.

INDUÇÃO DA POSTURA

MÉTODO DA IMPULSÃO EXTERNA  

Decorridas 24 horas da cópula ou 72 horas como limite máximo, cabe-nos observar se a fêmea apresenta tristeza acentuada, geralmente  acompanhada de respiração ofegante, plumagem grossa (embolada), e se estiver  sobre o fundo da gaiola não reagindo a ser colhida com a mão, em caso afirmativo, trata-se  de  caso clássico de Retenção de Ovo. Este diagnóstico não falha. Os sintomas poderão ocorrer na postura do primeiro ovo, no entanto temos verificado o problema também na postura do segundo, (Caso da casca mole é mais freqüente no segundo ovo). Ocorre ainda na postura de um só ovo que pode ser mole, ou, duro avantajado.

Constatado o quadro descrito a cima colocamos imediatamente em prática o método da Impulsão Externa que consiste no seguinte.

1º Passo

Colhemos a Curiôa cuidadosamente com a mão direita (devemo-nos acercar de todos os cuidados para que a enferma não se debata nem alce vôo de nossas mãos) colocamos  de costas  sobre a palma da nossa mão esquerda de forma que o dedo médio faça o apoio nas costas e com o dedo indicador e anular da mesma mão  prendam suas azas garantindo-nos uma boa contenção. (se não dispor desta habilidade manual solicite ajuda a terceiros). Ver fotografia Contenção-01.

2º Passo

Com a mão direita livre,  utilize as extremidades dos dedos indicador e anular para localizar o osso externo do peito “Quilha” e, deslocando-o em direção ao anus encontramos a cavidade abdominal logo abaixo das costelas, esta parte da ave é desprovida de ossos e suavemente deslocamos os dedos ligeiramente abertos sobre os intestinos buscando manter sempre a simetria do abdômen em relação a linha definida pelo osso externo, ai aplicamos nesta área leve pressão em direção ao orifício anal, podemos mediante a sensibilidade das extremidades do dedo localizar o ovo por apalpação e determinar quantos são e a condição de casca se mole ou dura.

Efetuamos mediante a constatação por apalpação com as extremidades dos dedos movimentos lineares dotados de leve pressão que vão do osso externo até o local aonde se encontra alojado o ovo. Ao sentir o ovo sob os dedos saberemos o grau de dificuldade para expulsa-los, pois, se a casca for mole  a dificuldade esta na constrição dos músculos do oviduto que deformando-o  impedem-no de sair. Se a casca for dura a dificuldade será pela pressão  bi  polar  exercida pelos músculos constritores, logo que tenhamos conhecimento da situação quanto ao tipo de casca procederemos  de maneira diferenciada.

3° Passo.

Se o ovo possui casca mole (caso documentado com fotografias e anexadas) podemos efetuar uma pressão maior com as pontas dos dedos indicador e anular até encontrarmos a extremidade vértice do ovo, (procedendo desta forma não corremos o risco de exercermos pressão sobre o ovo  o que fatalmente o romperia) neste ponto efetuamos movimentos delicados de pressão que irão estimular, ou mesmo substituir as contrações e ajudar a impelir o ovo através do oviduto até o orifício anal. Como podemos verificar o processo é demorado, então precisamos intercalo-lo com instantes de descanso o que provoca  muitas das vezes uma retomada das contrações por parte da Curiôa e geralmente a postura ocorre durante o período de descanso. Caso contrário, retomaremos as pressões anteriormente descritas, intercalando-as com períodos de descanso até que se verifique o surgimento de um ponto branco (Fotografias Contração-01-02-03) que crescerá à medida que o método se desenvolve até o surgimento de boa parte da coroa do ovo, neste momento mediante o uso de uma seringa dotada de agulha grossa e sem ponta (agulha de uso bovino) efetuamos uma punção de todo o conteúdo do ovo e em seguida puxamos a sua casca membranosa e vazia com a ajuda de uma pinça finalizando desta forma todo o processo, a fêmea em dois dias estará totalmente recuperada,  no entanto é recomendável coloca-la por algumas horas em local aquecido para recuperar-se.  

Se o ovo possui casca dura o processo é o mesmo, devemos apenas tomar o cuidado de não efetuar pressão sobre o ovo e sim sobre a sua extremidade vértice em direção a sua saída, é necessário tranqüilidade e concentração durante todo o processo que deve ser intercalado por descanso até atingirmos o objetivo. A segurança do executor do método é fundamental,  deve repousar no fato de ter adquirido todos os conhecimentos necessários à prática do mesmo, pois não há lugar para insegurança ou vacilo, iniciado o processo devemos ir até o fim. Em alguns casos a postura pode ocorrer logo após a massagem, para tanto o ovo deve deslocar-se até a cloaca.

Acreditamos que a divulgação do método descrito não se constitui novidade entre os criadores de pássaros que já os praticam há décadas, no entanto o criador iniciante encontrará ao seu dispor as informações necessárias e capazes de salvar a vida de várias fêmeas em reprodução. Observar conjunto de fotografias anexadas."

Autor Gilson Barbosa
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DOSAGEM METABÓLICA

Uma forma interessante para se calcular a dose das medicações das aves

DOSAGEM METABOLICA

Um tempo atrás o nosso amigo Dr. Zeca enviou-nos um texto a respeito de doses de medicações para pássaros.

O texto originário do site
http://www.vet.uga.edu/ivcvm/1999/Dorrestein/dorrestein.htm tinha título de “METABOLIC CONSIDERATIONS FOR TREATMENT BIRDS”, cujo autor era Dr. Gerry Dorrestein. O autor não é pouca coisa, é professor do departamento de patologia da faculdade de veterinária da Universidade de Utrecht na Holanda, é ainda co-autor do livro ” AVIAN MEDICINE AND SURGERY” e autor do capítulo a respeito de antibióticos em pássaros no livro “ANTIBIOTICAL THERAPY IN VETERINARY MEDICINE”. Mas deixemos os “entretantos” e vamos logo aos “finalmentes” ... Inspirado em um artigo de 1990 a respeito da utilização de uma escala metabólica para se inferir doses de medicamentos em diferentes espécies de animais exóticos o Dr. Dorrestein comenta que isso nunca se tornou uma prática comum na medicina de animais exóticos, tendo como principal razão a série de cálculos matemáticos para se fazer as conversões necessárias.

Trazendo essa idéia para os pássaros nosso autor menciona que a extrapolação das doses de medicamentos de humanos, mamíferos e aves de granja para pássaros é uma prática comum. Essa prática ,porém, tem seus limites. A maioria dos pássaros têm um peso corporal pequeno e uma taxa metabólica basal alta, 50 a 60% maior nos passeriformes q em outras aves com o mesmo peso corporal. O problema é que os estudos a respeito das drogas fornecidas para nossos pássaros é baseada, geralmente, em estudos em galinhas, papagaios ou pombos, assim sabermos a concentração correta a ser fornecida é muito importante.

A dosagem baseada no metabolismo parte do princípio que a quantidade da droga a ser administrada aos animais está mais estritamente relacionada ao consumo energético diário que com o peso corporal do animal. Usando uma fórmula ele montou ,para as variações de peso mais comuns dos pássaros, uma tabela de conversão do peso corporal para taxa metabólica basal (TABLE 1). Com a mudança do cálculo das doses de mg/Kg de peso por dia para mg/Kcal por dia e levando em conta o consumo de água diário dos animais, também baseado nas variações metabólicas individuais (0,5ml/kcal) as doses passam a ser espécies independentes. Assim a dose da medicação a ser misturada à água servirá para qualquer espécie, com qualquer peso, pois o fator limitante da dosagem será o volume de água consumido no dia.

O cálculo da concentração da medicação na água de beber deveria ser baseada na ingestão hídrica diária, como isso pode variar com a temperatura e umidade do ambiente, habitat original do pássaro (deserto, matas) e pelo tipo de dieta (frutas, verduras) o próprio criador deveria sempre recalcular o atual volume de água consumido por seus pássaros e ajustar a concentração visando o fornecimento da dose média calculada em mg/kcal.
Na TABLE 2 do artigo foi feita uma listagem de vários antibióticos já com a dose calculada em mg/kcal. A TABLE 3 nos trás exemplos de cálculos utilizando-se vários antibióticos em passeriformes e não passeriformes de variados pesos.

A dose da medicação é calculada utilizando-se da fórmula :

DOSE = TMB x dose em mg/kcal

Exemplo:

Tomemos a ERITROMICINA e uma ave de 20g bebendo 3,5 ml de água por dia.
Pássaro com 20g de peso na TABLE 1 vemos que a Taxa metabólica Basal (TMB) é de 7 kcal/dia. Na TABLE 2 temos as doses em mg/kcal na segunda coluna.
TMB=7
Dose em mg/kcal=1,17
Dose individual = 7 X 1,17 => 8,19 mg/dia de eritromicina
Os 8,19 mg devem estar distribuídos em 3,5ml de água, que é o volume de água ingerido pelo pássaro por dia. Para se encontrar a concentração total de um litro da água medicada dividimos os 8,19 pelos 3,5 e teremos 2,34mg em cada ml de água, multiplicando-se esse valor por 1000 (um litro = 1000ml) temos 2340 mg/l. Assim devemos adicionar em um litro de água 2.340mg de eritromicina.

O mesmo fazemos para calcular qualquer dose de qualquer medicação, como vemos nos exemplos da TABLE 3.
Aparentemente é complicado, mas após o entendimento se mostra extremamente fácil e prática.
Penso que quando formos colocar em prática esse método não deveríamos dar aos pássaros frutas e verduras se possível, para que a dose ingerida seja o mais correto possível. Um outro cuidado que penso ser importante é utilizarmos bebedouros âmbar ou com alguma proteção contra a luz, visto que a luminosidade pode afetar certos medicamentos.

Além disso só devemos medicar nosso pássaros quando realmente necessário e de preferência com a prescrição de um médico veterinário e seguirmos a prescrição da forma e pelo tempo recomendados.
Notemos que na TABLE 3 ocorreu uma troca das doses metabólicas entre NYSTATIN E POLYMYXIN. O autor ainda faz alguns arredondamentos matemáticos na TABLE 3, o que pode dar números um pouco diferentes quando calculamos utilizando a TABLE 2.

Bem esse foi meu entendimento. Lembro aos amigos que meu forte não é matemática, assim sendo se algum matemático de plantão tiver outra visão ou outras colocações será muito bem vindo. Apenas achei importante não deixar esse interessante artigo passar desapercebido.


Um abraço e bons cálculos,  Anderson Carangola MG
Escrito por Anderson Moreira de Almeida, em 1/6/2004

 


EVITANDO OS ANTIBIÓTICOS

Prevenção

O uso indiscriminado de antibióticos na cria de pássaros e principalmente na época de cria é algo quase que alarmante. Muitos os criadores os utilizam de forma sistemática e rotineira, com o objetivo de “bloquear” a entrada de germes patogênicos que possa causar baixas principalmente nos filhotes. Outros, quando aparece alguma mortandade, recorrem imediatamente a um antibiótico para tentar erradicar o mal. Recorre-se portanto ao último recurso, sem o auxílio de algum profissional da área, sem antes Ter se tentado exaustivamente outros métodos preventivos de significativa importância.

A intenção é das melhores. Evitar a mortandade , proteger a saúde dos plantéis e, desta forma aumentar a produção. A grande pergunta quando chegamos a este ponto, e: será que quando lançamos mão do último recurso (o uso de antibióticos) já fizemos efetivamente tudo que estava a nosso alcance para evitar que a doença se instalasse ? Será que o simples fornecimento de antibióticos via oral poderá definitivamente “varrer” o germe instalado ? Desejo antes de mais nada, esclarecer que estas reflexões não tem o menor intuito de invadir o campo veterinário, mas simplesmente analisar do ponto de vista do nosso manejo qual seria o melhor caminho para que nós criadores pudéssemos atingir um nível mais elevado de sanidade e produtividade.

A nossa proposta consiste em utilizar todos o meios possíveis ao nosso alcance para prevenir a entrada de germes patogênicos na criação deixar o uso de antibióticos como sendo o último recursos a ser utilizado dentro do possível, com a ajuda de um médico veterinário especializado que possa nos orientará sobre a forma do princípio ativo mais adequado para cada situação. As infectações podem vir por bactérias, fungos, vírus, ou parasitas. Todas elas se transmitem das mais diversas formas e cabe a nós bloquearmos a entrada destes seres aos nossos plantéis.
Medidas preventivas - existem inúmeros aliados na prevenção de doenças infecto-contagiosas para tentarmos evitar “surpresas desagradáveis” . Alguns extremamente simples, outros de alta tecnologia. Vejamos algumas delas que consideramos interessantes:

1. Renovação do ar – O simples fato de renovarmos o ar de nosso canaril, será de por si só, um grande aliado. Onde existe uma superpopulação de indivíduos, também existirá uma superpopulação de microorganismos por eles gerados. Se deixarmos ar confinado, esses microorganismos aumentarão a sua concentração de forma perigosa e preocupante. A renovação do ar é uma forma simples de “varremos” o ar contaminado do interior das instalações permitindo a entrada do ar puro isento de microorganismos indesejáveis.

2. Entrada do sol – O sol é um germicida eficaz e reconhecido, além de ser fundamental fonte de energia favorecimento da absorção da vitamina D, etc.

3. Higiene – De fundamental importância, este tema é extremamente complexo e de larga abrangência. A eliminação dos germes de forma direta, eliminando sujeiras, materiais orgânicos, etc. Esta prática pode ser feita com inúmeros produtos desinfetantes existentes na praça, mas deve se tomar extremo cuidado no sentido de que muitos deles apresentam toxicidade para as aves. Existe um produto novo e verdadeiramente revolucionário de fabricação inglesa chamado Vircon que elimina vírus, bactérias, fungos e esporas, permite a fumigação diretas nos animais, filhotes, ovos , etc. que ajuda sensivelmente neste sentido.

4. Vestuário – O nosso vestuário, mãos cabelos, etc., são verdadeiros portadores de microorganismos. Resulta para nós criadores, muito difícil a realização de uma assepsia completa antes de entrar no canaril. De todas formas resulta fundamenta a utilização de pedilúvio para desinfeção da sola dos sapatos, e a desinfeção das mãos antes da entrada no criatório.

5. Vacinação – Existe uma doença especificamente transmitida por vírus (canari pox) chamada popularmente de bouba que pode ser prevenida vacinando todos os animais anualmente. Considerando que é contra indicada a sua aplicação em filhotes com menos de 60 dias, geralmente é aplicada quando os últimos chegam a essa idade.

6. Quarentena – Quando ingressamos reprodutores trazidos de fora, além de novas características genéticas, podemos estar trazendo novos germes que possam afetar nossos plantéis, de forma que resulta recomendável uma fumigação, e colocá-los numa instalação separada que nos permita observar seu estado de saúde por aproximadamente 30 dias e tomar as devidas medidas caso verifiquemos alguma anormalidade na saúde deles. Esta quarentena também pode ser utilizada para isolar exemplares do nosso plantel com problemas de saúde.

Estas são apenas algumas das medidas que poderão evitar dores de cabeça, despesas desnecessárias, uso incorreto de medicamentos, e finalmente, a morte dos nossos pássaros que tanto nos desanima. O uso de antibióticos, antimicóticos, etc. nunca está descartado, mas sempre sendo o último recurso e com o acompanhamento de pessoas profissionalmente capacitadas para indicar o produto certo, dosagem, etc. Boa sorte !!!


Publicado na Revista Pássaros - Ano 4 – n. 17 / 1999
Escrito por Álvaro Blasina, em 2/9/2003

 


FRATURAS

Quando ocorre de a ave quebrar um osso, a primeira providência é retirar os poleiros e colocar água e comida a disposição da ave. Será necessário encanar o osso com gesso dissolvido em água ou álcool, que levará mais ou menos um mês para colar. Se for a perna que quebrou, pegue um canudinho de refresco cortado ao meio, coloque as duas partes na perna e passe o gesso, deixando uns 45 dias, após retire o gesso. Se for a asa que quebrou, será necessário cortar todas as penas da asa, dependendo da fratura, tente encaná-la com gesso. Caso não consiga, o melhor e mais correto é levar a ave a um veterinário, que esta mais acostumado a fazer estes serviços.

Ministrar um anti-infamatório.

 


FUNGOS

Prevenção e Profilaxia
Criação de Curiós e Bicudos de Aloísio Pacini Tostes

   Os fungos são os maiores inimigos da criação. É uma doença de elevada mortalidade, talvez a que mais mata filhotes geralmente depois do terceiro aos 12 dias de vida, provocada pelos fungos Aspergillus fumigatus, Aspergillus flavus e Aspergillus glaucus. Os sintomas são: diarréia meio esverdeada, sede intensa, abatimento, tosse, febre, inapetência, crise de respiração com catarro, o pássaro fica abrindo e fechando o bico e expulsando catarro do nariz. Manifestações diarréicas crônicas de cor amarelada também são comuns.

O grande problema ainda é que ela nos filhotes quase sempre vem associada a outra doença , notadamente a colibacilose e mycoplasmose. O diagnóstico pode ser feito através de microscópio, examinando a secreção catarral ou um esfregaço das vias respiratórias.

A profilaxia de um modo geral é não se ministrar aos pássaros comidas úmidas, mofadas ou vencidas. Não mantê-los em ambientes úmidos e mal ventilados. A umidade nas gaiolas e no ambiente são as principais causas dessa doença. Os esporos (sementes de fungos) ficam no ar, à espera de algum ambiente úmido para ali formar uma colônia de fungos.

É muito difícil conseguir a cura. Existe terapia específica, porém não consegue atingir eficientemente o tipo de lesão granulomatosa formada na ave em diferentes órgãos.  Existe medicamento fungicida natural, extraído de vegetais e também o proprionato de cálcio, administrado misturado às sementes à base de 1 grama por quilo, para impedir o desenvolvimento desse fungo e conseqüente formação de suas micotoxinas, principal causadora de moléstias.

Podemos até terminar com os fungos, aquecendo no forno as sementes, todavia as micotoxinas são termoestáveis, ou seja, resistentes ao calor e tem um caráter acumulativo, isto é, cada vez que a ave ingere a micotoxina ela é depositada no seu organismo, não sendo eliminada facilmente. As micotoxinas causam mortalidade em adultos e filhotes, baixa fertilidade, queda de resistência à doenças por atingir órgãos imunes etc. Interessante fazer periodicamente a fumigação ou seja retirar os pássaros do criadouro e através de um fungicida em fumaça utilizado em granja de frangos para exterminar os fungos do ambiente.

Escrito por Stella Maris Benez, em 2/9/2003

 

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